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28 de dezembro de 2010

AMIZADE:

Misterioso laço, segredo de quem fica dentro do coração, alma habitada, admiração e querer bem. Ter sempre um lugar para voltar; abrigo, morada, acolhida. Ser visto melhor do que se é. Sentir força e calma através dos olhos de quem aprendeu a te olhar devagar. Descobrir a potência de um sorriso e da esperança de quem espera e confia em ti, incondicionalmente. Proteção certa, ombro, apoio, sombra, lugar de descanso. Saber falar sem palavras e chorar sem lágrimas, linguagem compreendida por apenas duas pessoas, consequências de um dicionário próprio, código conquistado pela intimidade, pela partilha de quem se é. Caminho único. Aventura e risco. Cura e crescimento. Investir, cuidar, cativar. Respeitar e aprender com o diferente. Ser conhecido na precariedade. Ser encontrado. Encontrar. Constante experiência de ser relembrado da sua missão. Paciência e perdão. Sempre ir mais longe, ir mil vezes, ir sem contar. Ser alguém melhor, mas sempre em processo de construção. Caminho quando não tem mais estrada e consolo incansável, mesmo quando não há nada para fazer. Poder ser impotente, sofrer junto; descobrir força, coragem e até virtudes que não se acreditava ter! Ser capaz de amor, querer sempre ir até o fim. Aproximar-se do coração de Deus.


23 de dezembro de 2010

Noite Feliz



Apague as luzes para que a Estrela brilhe mais forte! Faça silêncio e ouça os sinos. Veja se a palha da espera está bem aquecida e, se ao menos na estrebaria, o Amor tem lugar. Tire as vestes do orgulho e o manto da tristeza para com simplicidade acolher o Pequeno Rei. Ouça o choro da salvação e contemple o milagre. Silêncio novamente! O Menino adormeceu nos braços da Mãe e sob o olhar da Fé de seu Pai. Mistério não somente porque não se pode explicar, mistério porque Ele escolheu Aqui habitar. Silêncio para “não despertar o Amor antes que Ele queira” e cuidado ao velá-Lo na noite, mesmo sendo a “noite feliz”. A Paz dorme entre nós para nos acordar do sono da morte. A Paz veio pequena para caber em um coração apertado. Primeiro momento encarnado de um Amor infinito. Felicidade que não cabe na Palavra, que se fez Carne para assumir um corpo ferido. Pequeno, Ele chegou. Grande, Ele pede para ficar. Canta o Céu com grande júbilo, a Glória que nos é possível ver. Canta a humanidade que mesmo sofrida, testemunha seu Salvador nascer.

13 de dezembro de 2010

O Pequeno Detalhe do Natal



Acabei de receber meu primeiro cartão de Natal deste ano! Cartão de verdade! Nada de frases encaminhadas e imagens repassadas por e-mail. Nada contra a este tipo de lembrança, mas é tão raro hoje em dia receber um cartão que não seja virtual, que resolvi partilhar.

Cartão de Verdade! Feito com cuidado, cheio de detalhes, postado nos correios com antecedência e transbordante de carinho.

Sou apaixonada pelos pequenos gestos. Amo os detalhes. Eles sempre fazem a diferença, chegam mais longe, alcançam o coração com mais força. Na realidade, tudo que é preparado, planejado, feito com amor, tem a capacidade de quebrar corações, abrir portas e roubar sorrisos.

Quanto tempo Deus preparou a vinda do seu Filho até nós! Tudo realizado por amor. Amor encarnado, anunciado, esperado, vivo e real.

O mistério deste tempo é grande! Mas podemos descobri-lo de forma simples. Deus é simples e acessível como o Menino na manjedoura.

Por isso, neste Natal, se preocupe menos com a roupa. Não gaste todas as suas forças pensando na comida e nos presentes. Não deixe ser mais um feriado. Redescubra o sentido. Reze. Deixe o Amor nascer. Escreva um cartão à mão, mande para um amigo. Ligue para alguém querido. Convide a Fé e a Esperança para sua ceia. Não fique sozinho. Recomece.

Ele está quase chegando... Preparemos-nos!

5 de dezembro de 2010

Tu Virás!



O coração não está pronto, mas deseja e espera. Estou contando os dias para a Tua volta.

Ultimamente, os dias são vividos em velocidade máxima, uma correria tão grande, parece que uma onda de pressa nos arrasta continuamente. É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo e o tempo todo, que os dias passam como um sopro! Parece que estamos mais acelerados, mais esquecidos, mais ansiosos. Queremos mais coisas, queremos sempre mais, estamos em uma busca incansável, mas que cansa só em pensar... Alguém avisa ao mundo que é perigoso ir rápido demais!

Mas nesse tempo, em meio as decorações exageradas, ao consumo frenético, aos sentidos distorcidos deste momento tão indecifrável, é bom saber que Tu vens! Que as lágrimas (e são muitas lágrimas!) serão enxugadas, que a tristeza dará lugar a alegria, que a vitória se firmará triunfante, reluzente no meu mundo tão escurecido pelo medo, pela falta de fé, pela falta de tudo. Que tempo de precariedade, de ausência, de distância! Tu virás iluminando o nosso mundo que se tornou frio, abortista, consumista, egoísta, pessimista, “ista” até demais...

Tu virás como o Sol para os que sentem frio. Tu virás como a chuva para quem vive a seca. Tu virás como dia para quem está na noite. Tu virás na hora certa para quem está atrasado, caminhando muito devagar. Tu virás como a paciência para quem se impacientou. Tu virás como a suavidade para quem se cansou de muito barulho. Tu virás como certeza para quem escolheu o improvável. Tu virás como saúde da alma para quem adoeceu. Tu virás como a paz para quem sempre esteve em guerra, para quem sempre lutou até o fim. Tu virás como força para quem se cansou. Tu virás como esperança para quem ainda espera. Tu virás como surpresa. Tu virás como quem chega pra ficar. Tu virás!

28 de novembro de 2010

Feliz Espera


No coração do outono para alguns, quando as folhas já caíram e o vento ainda arrasta o que ficou, chega o tempo da espera. A esperança renasce para aquecer o frio que se instalou. Novos desejos, novos propósitos, novos começos. Ela vem preparando o coração, abrindo os espaços, desentulhando, chegando pra ficar. Esperança tão querida, tão sofrida, tão necessária. Esperança tão real que mantém viva a alma, que conforta o coração. Esperança que vai nos colocando no lugar. Esperança tão certa, advento de quem sempre vem.

É tempo de esperar... Feliz Espera para todos nós!

5 de novembro de 2010

Um Príncipe Encantado? Não, Um Homem de Deus.

Achei muito interessante o texto “The Prince Charming” ou O “Príncipe Encantado” que o Felipe Bezerra escreveu no seu blog. E recomendo que todos possam ler o texto dele, mesmo que seja com a ajuda de um tradutor on-line, porque esse post de hoje vem confirmar aquilo que ele escreveu, mas com uma visão feminina da história.
(Link: http://shalomfelipe.wordpress.com/2010/11/04/the-prince-charming/)

Também quero deixar claro que o objetivo desse texto não é destruir a memória dos nossos “doces sonhos de menina” e nem desmotivar quem assiste comédias românticas (Eu, particularmente, gosto demais delas). Mas gostaria de colocar uma visão mais real do que uma mulher cristã, chamada ao matrimônio, espera ou deveria esperar de alguém com quem deseja construir um futuro e se unir para sempre.

Um Homem de Deus

Uma paixão avassaladora, um amor inesquecível e um casamento dos sonhos, difícil é encontrar alguma mulher que não deseje isso. Difícil também é encontrar alguém que não queira viver uma “comédia romântica” que termina com aquele beijo na chuva ou com o “felizes para sempre”, afinal, em todos os horários e de todas as formas, o cinema e a TV insistem em promover o sonho do “Príncipe Encantado” e do “Conto de Fadas”. Muitas vezes, nós mesmos, alimentamos a idéia de um relacionamento perfeito, com alguém perfeito e que nos ame perfeitamente.

Mas amor de verdade, aquele para a vida inteira, no mundo da realidade, precisa mais do que belos olhos, um sorriso charmoso e flores no primeiro encontro. Precisa mais do que simplesmente abrir a porta do carro e lembrar-se das datas de aniversário de namoro. Gestos de delicadeza e atenção são importantes para alimentar um relacionamento, com certeza são, mas não são suficientes para mantê-lo.

Quando conhecemos o Grande Amor Das Nossas Vidas, Aquele que supera todas as nossas expectativas, que nos enche de cuidados, de atenção e ainda nos ama exatamente como precisamos ser amadas, o esperado “Príncipe” vira Sapo e aquilo que buscamos em um relacionamento muda. Deus transforma tudo! O matrimônio continua sendo quisto, mas não para que eu me realize nele, também, mas para que, primeiramente, eu faça o outro feliz e construa uma família santa. A inversão de valores é grande, mesmo que o romantismo ainda exista, e acho até importante que exista e resista até o fim.

De verdade? Mulheres cristãs que querem edificar famílias santas buscam muito mais um homem de Deus do que um personagem de novela. Queremos respeito muito mais do que charme e preferimos um coração temente a Deus a qualquer riqueza. Esperamos alguém em quem possamos confiar mais do que alguém que tenha um corpo sarado. Esperamos fidelidade e prometemos apoio incondicional. Queremos alguém que, apesar de suas fraquezas, lute! Do que alguém com máscara de perfeição. Aceitamos erros quando não somos quistas somente pela medida da nossa cintura. Somos capazes de um amor muito grande quando temos um relacionamento a Três. Ah! E sabemos que não encontraremos um esposo que já seja santo (não é, mulheres?), mas buscamos um esposo que queira muito ser. Preferimos construir do que encontrar pronto. Mulheres de Deus não temem a obra inacabada, temem ter que terminá-la sozinha.

Realmente, precisamos pedir a Deus constantemente e com muita fé, a graça de aprendermos amar o outro como Ele nos ama. Para homens e mulheres, esse sempre vai ser o grande desafio e, ao mesmo tempo, a medida certa para o verdadeiro “Felizes para Sempre”.

2 de novembro de 2010

"Lidar consigo mesmo é trabalho de artesão"



De Coração A Coração
(Suely Façanha)

As maiores e duras quedas
Uma grande e fiel decisão
Só podem partir de um lugar
Vem do coração...

Renúncia, dor e alegria
Surpresa, perdão, euforia
Só podem partir de um lugar
Vem do coração...


Lidar consigo mesmo
É trabalho de artesão
Fio a fio e leva tempo
Pra dominar o coração


Capaz de sorrir, capaz de odiar
Destruir e recomeçar, recomeçar
O coração foi feito somente pra amar
Capaz de acolher, capaz de chorar
Se perder e reconciliar,reconciliar
O coração foi feito somente pra amar

Mais lindo encontro não há
Deus no coração de minh'alma
A nada se comparará
Esse encontro de coração a coração com Deus


Quando Deus me criou, Ele já sabia cada detalhe do meu ser. Já conhecia minhas entranhas, meus gostos e meus desgostos. Já sabia o que me faria sorrir e o que me faria chorar. Já sabia lidar com a minha fragilidade e já sabia o que me causaria medo. Conhecia meus traços quando eu ainda era um esboço, já dizia o salmista.

A questão é que eu não sabia. Não tinha meu manual de instruções e não sabia o que estava dentro do meu coração. E mesmo tendo percorrido longas e dolorosas léguas de autoconhecimento, ainda não sei. Muitas vezes, ainda sou estranha a mim mesma. Ainda me surpreendo com minhas reações e ainda temo minha fragilidade. Ainda temo meu temperamento forte e meus medos mais escondidos.

Mas eu aprendi, ao longo da caminhada, que “lidar consigo mesmo é trabalho de artesão”. Porque eu quero ver a obra pronta, mas Deus me pede paciência. Quero que Deus me refaça de uma vez, e Ele quer que eu acolha o que Ele fez. Quero recomeçar do zero, Ele quer que eu continue no caminho. Peço a Ele força, e Ele me pede esperança. Penso em desistir, Ele confia mais. Descubro a miséria, Ele investe na beleza. Canso-me de mim mesmo, Ele permanece incansável. Peço um novo coração, Ele transforma o que já tenho. Peço que Ele faça rápido, Ele me ensina a apreciar. Quando só vejo pedra, Ele lapida o diamante. E assim, “fio a fio” Ele costura quem eu sou... Claro, “leva tempo” e ainda não acabou.

Só quem me fez pode me ensinar a lidar com o que eu sou. Só Ele me fará “dominar o coração”. E não falo somente dos afetos que existem nesse coração, que já dão muito trabalho, diga-se de passagem. Mas falo do coração como sede das minhas decisões e escolhas. Só o artista pode transmitir sua arte. E nesse caminho de descoberta vou até o final da vida. E vou, não de qualquer jeito, mas me espantando com o poder do meu Artista.

22 de outubro de 2010

A Castidade como um Sim!


Depois de ler um post no blog do meu amigo Felipe Bezerra (http://shalomfelipe.wordpress.com/2010/10/21/is-pre-marital-sex-always-a-sin/), tive vontade de escrever sobre a castidade. Também me lembrei de um retiro promovido pela Comunidade Católica Shalom - da qual faço parte - que fiz no ano passado e que me ajudou muito a mergulhar nesse imenso dom. Sei que é um tema muito importante e muito tratado no meio cristão, afinal, viver a castidade no mundo de hoje está cada vez mais desafiante, não é? E por ser tão desafiante, para ser casto é preciso dizer um sim a Deus diário, constante e muito “suado”. Nesse post vou tentar abordar o tema de uma maneira mais formativa, no próximo, prometo escrever sobre a castidade como poesia.

Quero começar com a frase do fundador da Comunidade Shalom, Moyses Azevedo, que diz: “A vontade de Deus não é a parte mais fácil, mas é a parte mais feliz.” Por isso, de início, já digo a você que sabe que a vontade de Deus para nós é a santidade e que para sermos santos precisamos ser castos, que não é um caminho fácil escolher a castidade. Pois em um mundo que não acredita na pureza, você já é um bravo lutador que escolheu a parte mais feliz. A castidade não é um peso, é uma escolha corajosa.

A castidade nos capacita ao amor, ao verdadeiro amor. Ela nos protege de nós mesmos e muda a ansiedade em paciência. Quando estamos divididos pelos sentimentos e desejos, ela nos unifica e nos faz permanecer inteiros. Tenho certeza que muitas das nossas confusões interiores não ganhariam força se fôssemos mais puros. Parece não ter ligação entre a castidade e a inteireza, mas é a castidade que nos possibilita nos darmos por inteiro, amarmos por inteiro e nos mantermos inteiros até o fim, sem deixarmos pedaços de nós mesmos pelas estradas tortuosas de alguns relacionamentos que trilhamos na vida.

O grande fruto da castidade é a espera. Ela amplia nossa visão para além do hoje, do agora e do momento. A castidade sempre espera o amanhã. A prova do amor não está no hoje, está no amanhã. É fácil “passar”, hoje, a noite com alguém; difícil é viver com esse mesmo alguém o amanhã da vida inteira! Só a castidade nos faz ver assim, só ela nos empresta os óculos de Deus. Sem a castidade ficamos menos confiantes e se torna mais difícil esperarmos promessas, tempos e pessoas.

E como viver a castidade? Deus me deu um corpo para viver a castidade. Esse corpo um dia vai ser glorioso! E esse corpo me foi dado para expressar o amor. E se eu sou casada, Ele me deu o corpo do meu esposo para que eu cuide desse corpo também até o dia de devolvê-lo a Cristo “sem ruga e sem mancha”. Se eu uso o meu corpo e o corpo do outro somente para o meu prazer, eu não maculo só o meu corpo e o corpo dele, eu maculo a minha alma e alma do outro. O que fere o corpo, fere a alma.

A notícia boa é que Deus espera a grande oportunidade de restaurar a virgindade do nosso coração e, com isso, curar nosso corpo a cada dia com o seu toque puro de amor. Não existe castidade sem recomeço, por isso sempre é possível! Se a castidade nos capacita ao amor, o amor nos capacita a castidade. No dia em que nos deixarmos amar completamente por Deus, com nossas fraquezas e impurezas, no dia em que Ele abraçar nosso corpo ferido e beijá-lo com sua misericórdia, preencher os vazios e carências deixados em nós pelo desamor, a castidade deixará de ser um desejo e será um caminho real.

Se nosso sim a Deus também não for um sim à castidade, a voz do verdadeiro amor nunca será ouvida.

18 de outubro de 2010

Quero falar de espinhos




"Órgão axial ou apendicular, duro e pontiagudo (como os encontrados na laranjeira), resultante da modificação de um ramo, folha, estípula ou raiz, constituído por tecido lignificado e vascular, e que, se arrancado, destrói o tecido subjacente.”

O espinho protege a rosa como o sofrimento reveste a alma. Na proporção que fere, parece ressaltar a sua beleza, aquela mais profunda, que traz inteireza sem ausência de dor.

Quando se reconhece a força de amor da Cruz, se entende a importância do espinho e se compreende que uma rosa é completa só com ele, como a vida se completa somente quando nos desafios desabrocha. O espinho que faz chorar ensina pela rosa a fazer sorrir. E a conjugação de contrárias riquezas exalta a delicadeza dos opostos que se unem em um equilíbrio próprio de quem sabe quem os plantou.

Quem descobre a verdadeira beleza dos espinhos sabe admirar uma rosa.

Quem descobre no desafio uma oportunidade sabe na alegria ser feliz.

E quem colhe e acolhe rosas e espinhos aprendeu o que é viver.

Eu não quero viver só com as rosas. "Quero tudo".

14 de outubro de 2010

Vossa Sou



Celebrando a vida de Santa Teresa, gostaria de partilhar um dos poemas dela. Para mim, esse poema é o mais lindo de todos. Ô coisa linda é um coração rendido a Deus! Que pela graça Dele, o nosso também seja assim.

“Soberana Majestade, e Sabedoria Eterna, Caridade a mim tão terna, Deus uno, Suma Bondade, olhai que a minha ruindade toda amor, vos canta assim: Que mandais fazer de mim? Vossa sou, pois me criastes. Vossa, porque me remistes. Vossa, porque me atraístes e porque me suportastes. Vossa, porque me esperastes e me salvastes por fim: Que mandais fazer de mim?

Que mandais, pois, Bom Senhor, que faça tão vil criado? Qual ofício me haveis dado, a este escravo pecador? Amor Doce, Doce Amor, vede-me aqui fraca e ruim: Que mandais fazer de mim? Eis aqui meu coração, deponho-o em vossa palma. Minhas entranhas, minha alma, meu corpo, vida e afeição. Doce Esposo e Redenção, a vós, entregar-me vim: Que mandais fazer de mim?

Morte daí-me, daí-me vida, saúde ou moléstia daí-me. Honra ou desonra mandai-me. Daí-me paz ou guerra sem fim. Seja eu fraca ou destemida, a tudo direi sim: Que mandais fazer de mim? Daí-me riqueza ou pobreza, exaltação ou labéu. Daí alegria ou tristeza. Daí-me inferno ou daí-me céu. Doce Vida, Sol sem véu, pois me rendi toda enfim: Que mandais fazer de mim?

Se quereis, daí-me oração. Se não, daí-me soledade. Abundância e devoção, ou míngua e esterilidade. Soberana Majestade, a paz só encontro assim: Que mandais fazer de mim? Daí-me, pois, Sabedoria ou, por amor, ignorância. Anos daí-me abundância ou fome e carestia. Daí-me treva ou claro dia, vicissitudes sem fim: Que mandais fazer de mim?

Se me quereis descansando, por amor o quero estar. Se me mandais trabalhar, morrer quero trabalhando. Dizei: onde? Como? quando? Dizei, Doce Amor, por fim: Que mandais fazer de mim?

Daí-me Calvário ou Tabor, deserto ou terra abundante. Seja eu como Jó na dor, ou João sobre o peito amante. Seja uma vinha luxuriante ou, se quereis, vinha ruim: que mandais fazer de mim?Ou José encarcerado ou José Senhor do Egito. Ou Davi sofrendo aflito, ou Davi já sublimado. Ou Jonas ao mar lançado, ou Jonas salvo por fim: Que mandais fazer de mim?

Já calada, já falando, traga frutos ou não traga. Veja eu na lei minha chaga, ou goze Evangelho brando. Quer fruindo, quer penando, sede a minha vida, enfim! Que mandais fazer de mim?

Pois sou vossa e Vós meu fim: que mandais fazer de mim?”
(Sta. Teresa D Ávila)

9 de outubro de 2010

Uma Paixão Antiga...

Achei linda essa história! Ela foi publicada no site da Revista Época e pode ser lida na íntegra através do link:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI178503-15228,00-UMA+PAIXAO+ANTIGA.html

José Pedro, de 84 anos, e dona Nhanhá, de 91, sobem ao altar. Com a bênção da mãe do noivo, de 104

Quando ouviu do padre a pergunta que costuma dar um friozinho na barriga de toda noiva, Laudelina Isabela quase fraquejou. De seus lábios enrugados, finalmente saiu a resposta que todos na igreja aguardavam: “Aceito”. Dona Nhanhá não é uma noiva comum. Ela tem 91 anos, filhos, netos, bisnetos e até um trineto. O noivo, José Pedro Henrique Paiva, tem 84 anos. Ele foi levado ao altar pela mãe, dona Sá Vita, de 104 anos. “Entro com o Zé Pedro na igreja mesmo que seja carregada”, dizia a mãe centenária. O casamento, no dia 25 de setembro, parou a pequena Senhora de Oliveira, município mineiro de apenas 6 mil habitantes, a 180 quilômetros de Belo Horizonte.

A inesperada idade dos noivos não é o único detalhe a chamar a atenção na história do casal. Além de trocar alianças numa fase da vida em que pouca gente faz planos para o futuro, os noivos são primos. Eles se conhecem desde a infância. Cresceram juntos, mas cada um tomou seu rumo. Laudelina foi morar na capital mineira com o primeiro marido. Ficou viúva em 1999. Zé Pedro continuou na cidadezinha e, no ano passado, depois de mais de 60 anos de casado, também ficou viúvo. Os dois afirmam que a solidão pesou no momento de aceitar construir uma vida nova. Mas a paixão também teve seu papel no enlace: “O que manda é o amor! Gosto demais do Zé”, diz a noiva.

Desde que perdeu o marido, Nhanhá passou a frequentar mais a casa de dona Sá Vita, sua tia e agora sogra. Ela saía de Belo Horizonte e ficava pelo menos 15 dias do mês em Senhora de Oliveira. No começo de julho, seu Zé Pedro tomou uma decisão. “Vou até BH buscar a Nhanhá para mim”, disse à mãe. Dona Sá Vita não aceitou que os dois apenas morassem juntos. Tinham de se casar. A irmã de seu Zé Pedro serviu de cupido. Benedita de Paiva, de 62 anos, comunicou a Nhanhá o interesse do rapaz. “Ninguém vai me levar. Eu não sou mercadoria. Casar, eu posso até pensar”, teria dito à futura cunhada. Ele não pestanejou. Disse que aceitava casar e ainda aceitou as condições da pretendente, que não consegue mais cozinhar para muitas pessoas nem limpar a casa. “Não tem o menor problema”, afirmou Zé Pedro. “A Mariazinha também não estava dando conta de quase nada”, disse, referindo-se à falecida.

O namoro começou. De início, só beijo no rosto e andar de mãos dadas. Quando ela voltava para Belo Horizonte, depois de um tempo por lá, seu Zé não conseguia esconder o sofrimento. “Não vou aguentar de saudade da Nhanhá”, dizia à mãe. Segundo a irmã de Zé Pedro, eles pareciam um casalzinho de adolescentes. Dois meses depois, estavam no altar. Da outra vez em que se casou, Zé Pedro também esperou pouco. Só três meses. “Não perco tempo”, diz o noivo. Dona Nhanhá não acha que foi “fácil” demais aceitando se casar tão rapidamente. “Com 91 anos, eu vou esperar o quê?”

Foram conversar com o padre e marcaram o casamento para o dia 25 de setembro, às 11 horas, na Igreja Nossa Senhora de Oliveira. O mesmo cenário em que ambos se casaram pela primeira vez. A noiva passou duas horas se arrumando no salão. Fez unha, cabelo e maquiagem. Entrou na igreja acompanhada por dois filhos, de vestido azul rendado. O noivo, de paletó cinza-escuro, gravata prateada e lenço combinando, lembrava o ator de cinema Paul Newman. Terminada a celebração, o padre comunicou: “Pode beijar a noiva”. Os convidados aplaudiam, alguns até gritavam. Só a noiva não ficou muito satisfeita. “Foi um beijinho mixuruca. O Zé não gosta de beijo. Só de abraço.” Ela não esconde a preferência: “Gosto de beijo”.

A festa, para mais de 600 convidados, foi a maior da história da cidade. “Nunca teve e nunca mais vai ter uma festa igual por aqui”, diz dona Sá Vita, com a autoridade de quem assistiu aos casamentos de Senhora de Oliveira nas últimas nove décadas. Mais que os noivos, ela foi a atração principal do acontecimento. “As pessoas não paravam de me abraçar e beijar”, afirma. Até que perdeu a paciência com tamanha paparicação. “Eu disse: ‘Chega!’.” Mas ficou até o fim da festa.

Depois de dez dias juntos, o casal continua num mar de rosas. “Ele é muito carinhoso”, diz Nhanhá. “Ainda não vi defeito nenhum.” Ele também ressalta as qualidades da mocinha – “Ela é divertida, católica e muito obediente” –, com ênfase na terceira, que parece ser fundamental para a manutenção de uma boa relação com o octogenário. A renda do casal soma a aposentadoria dela, de um salário mínimo, e a dele, de dois. Zé Pedro diz que já foi carpinteiro, pedreiro, marceneiro e tem ferramentas para consertar qualquer coisa. “Faço tudo. Só não tenho dinheiro”, diz. Mas se orgulha de ter uma filha médica, que mora em Coronel Fabriciano, a 80 quilômetros de Senhora de Oliveira. Somadas as proles de ambos, são 91 pessoas, entre filhos, netos, bisnetos e trinetos.

Com tanta gente para dar palpite, o casamento correu o risco de não acontecer. No início, dois dos filhos do noivo ficaram preocupados com o que poderia ser entendido como desrespeito à memória da mãe. Depois concordaram. A família de Nhanhá aceitou de imediato. Seu Zé Pedro já era conhecido e foi considerado um bom partido.

Os netos de Zé Pedro são os que mais se divertem com a situação e a efêmera fama do avô. As piadas na escola não param de surgir. “Lua de mel de Nhanhá e Zé Pedro. Qual o nome do filme? Missão impossível”, diz Diógenes de Oliveira, de 15 anos. Mas ver a felicidade do casal deixa os netos satisfeitos. “A alegria do meu avô é enorme. Ele estava muito sozinho”, diz Juliana Paiva, de 17 anos. Uma lua de mel em uma pousada da região foi oferecida ao casal por um dos filhos de Nhanhá. Seu Zé Pedro vetou. “Lua de mel pra quê? Nem abelha tem mais!” Nhanhá ganhou muitos presentes, mas o melhor deles foi o da sogra: “O Zé foi meu maior presente”, diz.

8 de outubro de 2010

DEUS AJUDE O BRASIL!!!



Ainda sou do tempo em que, nos colégios, a gente cantava o hino nacional enquanto era hasteada a bandeira do Brasil. Tínhamos que colocar a mão direita no peito e respeitarmos solenemente aquele momento. Éramos educados para amar e defender a nossa pátria. Aprendíamos todos os hinos e marchávamos no dia sete de setembro.

Mesmo sendo criança, vi a conquista de eleger um presidente pelo voto popular. Vi nossa moeda mudar várias vezes e vi um presidente “cair”. Vi melhoras e pioras econômicas. Como nordestina nata, vi pobreza grande quando morei no sertão do Ceará e conheci boa parte do interior de Sergipe. Vi também a disparidade de progresso das regiões brasileiras quando morei no sudeste. Conheci vários países de “primeiro mundo” e tive meu patriotismo reascendido quando morei por um tempo “fora”. E acho que o Brasil é um país fantástico para se viver. Já senti saudade do “cheiro” dessa terra quando não morava aqui.

Mas o que eu nunca vi foi um tempo tão difícil! Politicamente desmoralizante. Não vivi a ditadura e era bem pequena quando a inflação batia no céu, talvez esse dois momentos superem o atual em desafio, mas, para mim, com certeza, é o momento de maior preocupação, indignação e revolta até hoje.

Há vários dias tenho rezado por uma mesma intenção: o futuro do Brasil. Nunca vi tanta falsidade, “disse me disse”, sujeira e desonestidade. Ainda bem que tem internet, televisão e jornal para socorrerem nossa memória, porque senão, com tanta mudança, enlouqueceríamos! É um jogo de interesses tão baixo que joga até com a vida! Nunca vi tanta gente mudar de opinião sobre o aborto, por exemplo, só para garantir votos e conseguir alianças. Ameaças veladas e desveladas. E se alguém for de encontro aos interesses “deles”, sai de baixo!

Como cristãos, querem nos calar. Como cidadãos, querem nos manipular. Mas é melhor gritarmos agora do que entregar nosso país nas mãos de quem não se compromete com a vida em toda a sua abrangência. Precisamos de mobilização e de muita, muita, muita intercessão... Deus ajude o Brasil!!!

Espero que meus filhos, assim como eu, um dia, ainda cantem com alegria o hino da independência que até hoje ressoa nas boas recordações da minha infância:

“Já podeis, da Pátria filhos,
Ver contente a mãe gentil;
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.”

3 de outubro de 2010

Só um pouco mais...



Só mais um pouco de calma, mais um pouco de alma, mais um pouco de espera. Só mais um pouco de coragem, mais um pouco de verdade e mais um pouco de fé. Só mais um pouco de paciência, mais um pouco de insistência, mais um pouco de vontade. Só mais alguns centímetros de liberdade, mais um metro de sinceridade e alguns quilômetros de luta. Na fita métrica da vida sempre falta mais uma medida para se chegar ao fim. "Ao contar os nossos dias, dai-nos sabedoria” para não pararmos quando faltar só um pouco mais de caminho, um pouco mais de espinho, um pouco mais de algo qualquer. Só mais um pouco de tudo, mais um minuto de esperança, mais uma hora de determinação. Só mais um pouco para perceber que o caminho se desfez. Só mais um pouco para ver que a ponte caiu, que a cortina se abriu e que o tempo correu. Só mais um pouco porque tudo Ele já fez. Se não formos até o final, terá valido caminhar? Só um pouco mais... não podemos desistir agora.

27 de setembro de 2010

O Pequeno Passarinho


“O passarinho quereria voar para o Sol brilhante que lhe fascina o olhar; quereria imitar as Águias, suas irmãs, que vê elevarem-se até ao fogo divino da Santíssima Trindade... Pobre dele! tudo quanto pode fazer é agitar as suas pequenas asas; mas levantar voo, isso não está no seu pequeno poder! Que será dele? Morrerá de desgosto, ao ver-se impotente?... Oh, não! o passarinho nem sequer se vai afligir. Com um audacioso abandono, quer ficar a fixar o seu divino Sol. Nada seria capaz de o assustar, nem o vento nem a chuva; e se nuvens sombrias chegam a esconder o Astro do Amor, o passarinho não muda de lugar, pois sabe que para além das nuvens o seu Sol brilha sempre, e que o seu brilho não se poderia eclipsar nem por um instante sequer.

É verdade que às vezes o coração do passarinho se vê acometido pela tempestade; parece-lhe não acreditar que existe outra coisa, a não ser as nuvens que o envolvem. É então o momento da alegria perfeita para a pobre e débil criaturinha. Que felicidade para ela, permanecer ali, apesar de tudo, e fixar a luz invisível que se esconde à sua fé!!!...

Jesus, até agora compreendo o teu amor para com o passarinho pois ele não se afasta de Ti. Mas eu sei, e Tu também o sabes, muitas vezes a imperfeita criaturinha, ficando embora no seu lugar (isto é, sob os raios do Sol), deixa se distrair um pouco da sua única ocupação; apanha um grãozito à direita e à esquerda, corre atrás de um vermezito... Depois, encontrando uma pocita de água, molha as penas ainda mal formadas; quando vê uma flor que lhe agrada o seu espírito entretém-se com essa flor... Enfim! não podendo pairar como as Águias, o pobre passarinho entretém-se ainda com as bagatelas da terra. Não obstante, depois de todas as suas travessuras, em vez de se ir esconder num canto para chorar a sua miséria e morrer de arrependimento, o passarinho volta-se para o seu Bem amado Sol, expõe as asitas molhadas aos seus raios benfazejos, geme como a andorinha e, no seu doce cantar, confia, conta em pormenor as suas infidelidades, pensando, no seu temerário abandono, conseguir assim maior influência e atrair mais plenamente o amor d’Aquele que não veio chamar os justos mas os pecadores... Se o Astro Adorado continuar surdo ao chilrear plangente da sua criaturinha, se permanecer velado..., pois bem: a criaturinha continua molhada, aceita ficar transida de frio, e ainda se alegra com esse sofrimento que, aliás, mereceu...

Ó Jesus! como o teu passarinho está contente por ser débil e pequeno. Que seria dele se fosse grande?... Nunca teria a audácia de aparecer na tua presença, de dormitar diante de Ti... Sim, aí está mais uma fraqueza do passarinho: quando quer fixar o Divino Sol, e as nuvens o impedem de ver um único raio, contra sua vontade os seus olhitos fecham-se, a sua cabecinha esconde-se debaixo da asita, e a pobre criaturinha adormece, julgando fixar ainda o seu Astro Querido. Ao acordar, não fica desolado, o seu coraçãozinho fica em paz, e recomeça o seu ofício de amor. Invoca os Anjos e os Santos que se elevam como Águias em direcção ao Fogo devorador, objecto do seu desejo.

E as Águias, compadecendo-se do seu irmãozinho, protegem-no, defendem-no, e põem em fuga os abutres que o queriam devorar. Os abutres, imagem do demónio, o passarinho não os teme, pois não está destinado a ser presa deles, mas da Águia que contempla no centro do Sol do Amor.

Por tanto tempo quanto quiseres, ó meu Bem-amado, o teu passarinho ficará sem forças e sem asas; permanecerá sempre com os olhos fixos em Ti. Quer ser fascinado pelo teu divino olhar, quer tornar se a presa do teu Amor... Um dia, assim o espero, Águia adorada, virás buscar o teu passarinho e, subindo com ele para o Fogo do Amor, mergulhá lo ás eternamente no ardente Abismo desse Amor, ao qual se ofereceu como vítima...”


Santa Teresinha (História de uma Alma, Ms B 5rº-vº)

20 de setembro de 2010

Tipos de Cristãos

Com certeza, nos indentificaremos com algum tipo de cristão ou identificaremos algum.

Cristão de Nome

"Sou cristão, mas não gosto muito de dizer, afinal, religião é tão pessoal, você não concorda? E é também por esse motivo que não ando nem com a Bíblia, com a cruz ou com o terço. Sempre vou à missa quando alguém casa ou quando alguém morre, acho isso muito importante. Mas no domingo é queimação sair do churrasco e dizer que vou à Igreja. Não conheço muito esse “novo” Papa, mas acho que ele é meio antipático, li na revista que ele não é muito bom. Já me confessei na primeira eucaristia, mas nunca mais fiz isso de novo, afinal, esse negócio de pecado é tão relativo. Já fui ao grupo de oração do meu amigo, mas desisti. Mas preciso dizer que apesar de tudo isso tenho fé e que rezo sempre antes de dormir. Deus é tudo na minha vida! Só não tenho muito tempo pra essas coisas. Ainda bem que Ele me protege do mal mesmo assim, comprei até uma medalhinha benta e não tiro do pescoço. Minha família também é muito de Deus, na minha sala tem uma Bíblia daquelas enormes... só tá meio empoeirada, é verdade... Mas sempre rezamos antes da ceia de Natal, que por sinal tem uns 10 anos que não participo, sabe como é, feriadão... tenho que aproveitar minha juventude! É verdade que tem umas coisas meio exageradas, tipo o aborto, porque em alguns casos tem mesmo é que legalizar. E esse negócio de castidade é mais ultrapassado do que minha tia-avó que virou freira. Mas mesmo com esses detalhes, vou morrer sendo cristão, pois sem Deus, a gente não faz nada na vida."


Cristão Fujão


"Sou cristão de carteirinha. Todo mundo sabe disso e se não souber faço questão de dizer, se for preciso até grito. Vou à missa todos os dias e me confesso três vezes ao mês. Não suporto quando alguém blasfema perto de mim e fico irritado quando alguém me chama de beato. Já renunciei as festas do mundo e todas essas futilidades que passam. Só quero Deus. Não posso dar espaço à tentação, por isso, me visto de qualquer jeito e nem levanto a cabeça quando ando na rua. Não falo com quem não conhece a Cristo e não me sinto bem fora da Igreja. Sei a Bíblia decorada já pra evitar confusão. Toda conversa minha tem que falar de Deus, pois o mundo tá perto do fim e é preciso insistir até as pessoas acreditarem. Deus me livre numa hora dessas de deixar de viver a castidade, por isso, quase não me relaciono, é mais seguro assim. Só ouço música cristã e livros só entram na minha casa se forem de Deus também. Na televisão e na internet só tem coisa que não presta, por isso, quebrei a TV e vendi o computador. Só tô lendo o jornal porque enfim estou sem emprego agora e preciso procurar. Já tentei trabalhar em vários lugares, mas em todos sou perseguido por causa da minha crença. Não entendo porque me chamam de fanático e dizem que da minha religião não querem participar. Mas isso faz parte da perseguição que Cristo falou no Evangelho. Mas não vou mudar, vou ser cristão até o fim."

Só Cristão

"Conheci o amor de Deus e a minha vida mudou. Sou cristão e amigo de Jesus. Luto pra ser fiel à missa e à confissão. Tento falar de Deus através da minha vida, abrindo espaço através dela para poder evangelizar. Tô no mundo intensamente, mesmo sabendo que não pertenço a ele e que minha vida não acaba aqui. Vou à festa quando dá, tenho MSN, blog e twitter. Assisto TV e seleciono pra ver aquilo que não vai me ferir, afinal, sou obra prima de Deus e meu corpo é templo do Espírito Santo. Tenho muitos amigos e amo viver. Não deixo de viver para fugir da tentação, rezo pra poder vencê-la e quando vejo que eu caio, tenho pra onde voltar. Minha religião não é um peso e ser radical não é ser fanático, é ser como Jesus, não é a Ele quem o cristão deve seguir? Estou sempre me atualizando sobre o que acontece no mundo e acho que assim posso servir melhor a Deus. Rejeito o pecado, mas sei que devo amar o pecador. Procuro não julgar quem tá no erro para não perder tempo e tentar ajudá-lo mais. Aprofundei-me no conhecimento da minha doutrina, por isso respeito e amo a minha Igreja. Não me abalo com notícias escandalosas e como o Papa, reconheço quando os erros são cometidos. Tudo na sua devida proporção. Sou absolutamente contra o aborto e peço a Deus para que Ele me ajude a guardar minha virgindade até casar. Vou ao grupo de oração e acredito nos dons do Espírito. Sei que Jesus quer me fazer hoje, na minha juventude, um santo de calça jeans. Sou feliz e sou cristão."

Post inspirado no texto do meu amigo "Non Christians parties" - http://shalomfelipe.wordpress.com/2010/09/20/non-christian-parties/

15 de setembro de 2010

Beijar ou não beijar?

Queria partilhar um texto muito interessante do meu amigo Felipe Bezerra. Você pode conferir o texto na versão original em inglês no blog dele: http://shalomfelipe.wordpress.com/ .


"Eu estava conversando com alguns amigos alguns dias atrás e uma das minhas amigas contou de um "jogo" que ela sabia ou que viu pessoas jogando (talvez ela jogou), numa festa. Ela falou sobre um colar que você coloca em alguém que você quer beijar, se você aceitar o negócio é que você pode beijar a pessoa. O fato é que este, que recebeu o colar, beija duas pessoas: uma ao receber o colar e outra ao passar adiante. Ela falou sobre outros tipos de jogos de beijar que você acaba beijando todo mundo ao redor.

Não tenho nada contra essa pessoa (ela é uma menina joia) ou contra as pessoas que beijam alguém no mesmo dia que conhecem a outra pessoa. Eu só quero dizer que eu não faria isso e porquê eu não faria (talvez eu possa fazê-lo um dia, eu simplesmente nunca fiz isso, e eu não quero fazê-lo).

Meu corpo é parte de quem eu sou. Eu acredito que eu não sou só a minha alma ou só minha mente. Eu sou o meu corpo. Mesmo se eu acho que sou um pouco gordinho, que eu acho que preciso de uma dieta, ou fazer alguns exercícios a mais, meu corpo sou eu (ou é eu, dependendo de com quem vc faça a concordância verbal). Eu sou corpo e alma (e mente também se você quiser).

Que que isso tem a ver com eu beijar alguém?

Bem, é bastante simples. Quando eu beijo alguém eu estou dando a minha boca, uma parte muito sensível e vulnerável do meu corpo, para alguém e, claro, essa outra pessoa faz o mesmo para mim. O negócio é o seguinte: eu estou dando o meu corpo e, claro, estou dando a mim mesmo a alguém. Quando eu falo sobre coisas da minha alma para alguém eu não faço isso para alguém que acabei de conhecer, eu compartilho meus sentimentos com os meus amigos mais próximos. Por que eu deveria compartilhar o meu corpo com alguém que acabei de conhecer?

Durante a conversa eu disse: "Estou me sentindo um avô". Não estava defendendo o estilo de vida à moda antiga ou voltar para os velhos tempos, mas sou, neste caso, partidário dos amantes românticos. Eu acredito na amizade antes de namoro, eu acredito no beijo como uma forma de demonstrar amor, eu acredito no amor para sempre.

Quando eu estava escrevendo este post, vi um comercial na MTV, onde você envia uma mensagem de texto com o nome de que você está a fim pra saber se ele / ela beija bem. Esta é realmente a coisa mais importante (ou a primeira) a saber sobre uma pessoa por quem você se sente atraído? E os seus sonhos? Ou qualquer outro aspecto da vida de alguém? Não é importante saber quais são seus planos para o futuro? Ou o que é a coisa mais importante para ele / ela?

Bem, eu acho que você entendeu o que eu queria dizer. Eu acredito no amor."


Eu também acredito no amor, e você?

12 de setembro de 2010

As Pontes



Em qualquer travessia, elas ajudam a seguir. Unem abismos, encurtam distâncias e abrem caminhos. Tornam possíveis os laços e se entregam para que outros cheguem. Vivem a solidão dos extremos e o martírio da oferta. São essenciais na jornada, mas fáceis de serem esquecidas depois de atravessadas. Mesmo quando são grandes, sempre se fazem pequenas porque entendem a missão de serem apenas passagem. Não prendem nada a si.

As pontes que eu conheço não são somente as de concreto ou as madeira. São fortes em sua estrutura, mas têm nome e têm alma. Possibilitam a minha existência e me fizeram chegar até aqui. Ou melhor, me fazem ser quem eu sou. Elas sorriem e choram. Continuam sendo o que são. A maioria delas podem ser chamadas de "Ananias". E todas estavam no lugar exato e no tempo preciso.

Muitas se fizeram só para que eu passasse. Muitas caíram para suportar o meu peso e o peso dos meus pecados. Muitas me desafiaram a confiar e todas me fizeram ir mais longe. Deram-me segurança quando eu estava insegura e esticaram-se para que eu também crescesse. Arriscaram-se e lançaram alicerces nas alturas para que eu pudesse voar.

As pontes me levaram a Deus. Diminuíram para que Ele crescesse. Indicaram o caminho e também fizeram parte dele. Foram e são sinais claros de onde preciso chegar. Tornaram possível o encontro com o Eterno e deixaram tangível o que parecia impossível a mim.

Espero que esse pequeno texto seja também uma ponte que leve minha gratidão mais profunda a cada um que foi, querendo ou não, sabendo ou não, caminho para o que não passa e sinal visível daquilo que ainda verei. Obrigada.

7 de setembro de 2010

Minha Mãe...



Teus olhos estão voltados para Ele, e quando te olho, também começo a olhá-Lo. Teu coração é um com o Dele, quando te amo, também começo a amá-Lo. Teu silêncio é presença de amor. Tua fé é sinal de esperança. Tua vida é caminho para a Vida, ponte segura nas travessias indispensáveis. Estrela que anuncia a Aurora, reflexo da Luz na minha noite e na minha escuridão. Conheceria menos da ternura do Terno se o teu cuidado não pudesse sentir. Sentiria mais frio sem teu inflamado coração. Caminharia mais sozinha sem a tua proteção. No colo do Teu filho aprendi a te conhecer. Na Cruz, aprendi a te amar. Minha fé seria mais pobre sem a tua. Sou fraca, preciso da tua intercessão, sem ela, demoraria muito mais para me render. Não temo te amar tanto assim. Não temo acreditar na tua santidade. O Teu amor a Jesus não permite me afastar. Teu lugar na minha vida faz Cristo chegar ao dele. A delicadeza forte do teu amor e do teu sim não é ofuscada na minha história porque a tua história é a história do teu Filho. História que Ele escreveu por mim. Em tuas mãos, me confio. Mesmas mãos que seguraram forte o Filho de Deus. Ele confiou em ti, não devo fazer o mesmo? És auxílio, és modelo, és expressão da mais pura eleição. Teu manto que tantas vezes O cobriu, vem cobrir hoje meu coração. Tuas lágrimas me ensinam o consolo, tu que recebestes em teus braços Teu Filho morto, recebe-me também. Deixa-me ficar na tua casa e fica na minha. Quero contigo aprender a seguir. Quero contigo aprender a guardar. Quero contigo aprender a ficar de pé. Quero contigo viver minha vida, crescer na minha fé. No céu, reconhecerei teu sorriso e como tua filha, mais te amarei. Maria, minha Mãe, Mãe de Deus, Minha Senhora, Nossa Senhora, sou mais feliz porque nascestes e escolhestes o que também escolho para mim: Jesus.

Deus poderia ter nos salvado em Jesus sem a participação de Maria. Deus poderia ter nos amado sem Ela. Deus poderia ter nos dado Jesus através de outro ventre, de outro sim. Deus poderia ter escolhido outra forma para realizar a encarnação. Deus poderia ter sido mais direto, sem co-mediações. Deus poderia... Mas não o fez. Respeito quem pensa diferente, mas não poderia deixar de dizer quem Maria é para mim no dia em que a Igreja celebra seu nascimento.

5 de setembro de 2010

RELEMBRANDO...

Algumas pessoas que conheceram o blog agora, pediram para que eu postasse novamente o texto mais acessado e o que eu mais "gostei". Para mim, dois marcaram esse primeiro mês do "As Margaridas do Inverno". Escolhi para hoje o SIMPLESMENTE DELICADO (o mais acessado) que nos fará relembrar esse caminho que temos feito. Amanhã coloco o outro. Boa semana a todos! Com vocês:


SIMPLESMENTE DELICADO




Eu acredito que o amor é “mais forte do que a morte”, ele é poderoso e “nem as torrentes das grandes águas poderão apagá-lo”. Mas eu acredito que o amor, com toda a sua potência, é extremamente delicado.

O amor sempre pede passagem e só entra se for convidado. Ele não se importa em esperar até que você abra a porta. O amor se preocupa se você está bem e pergunta como foi o seu dia. O amor é sutil, se preocupa com os pequenos detalhes e sempre sabe como agir, pois apesar de ser constante, sabe lidar com os imprevistos.

O amor nunca incomoda, é respeitador ao extremo e arrisca tudo e o tempo todo para não ferir a sua liberdade. O amor sabe dar flores, levanta para você sentar e sempre faz com que todos se sintam confortáveis. Conhece os seus gostos e sabe a sua cor preferida.

Na sua delicadeza, o amor é sempre sincero. Corrige, “puxa as orelhas”, quer ver crescer. Não se importa com o que falarão dele, ele está unicamente interessado em você. Ele quer o seu bem, mas vai sempre saber ser pequeno e acolhedor quando descobrir o grande pecador. E não julga, está muito ocupado em amar.

O amor é prontidão, é bilhetinho de obrigado, é beijo de boa noite, é riso disfarçado, é ombro, é colo e é travesseiro com "cheirinho” de fronha lavada. É sabor de comida da nossa casa.O amor é a palavra certa, no momento certo e silêncio precioso no momento mais necessário. O amor só precisa olhar. Ele é segurança sem fazer nada e protege do frio com o cobertor da amizade.

O amor não prende, ele entende. Ele é exigente, mas não cobra. Ele é firme, mas surpreende com seu modo de nos vencer. Ele sempre, sempre, sempre vai até o fim. E permanece fiel mesmo traído, mesmo esquecido. Ele cuida quando precisa e permanece lá, mesmo quando todos vão embora. Ele é o último a sair e o primeiro a chegar. Ele apaga a luz, mas acende a esperança.

Não entendo muito do Amor, mas sei que sou amada assim.

A ESPERA DO AMOR

O amor espera. Espera sem pressa. O amor espera com confiança, “esperando contra toda esperança”. O amor espera no silêncio, na paciência, na crença de que tudo tem seu momento oportuno. O amor espera na tristeza e encontra na dor motivos para continuar a esperar. O amor espera o dia seguinte, a próxima semana e o próximo mês. O amor espera contando os dias e somando as saudades. O amor espera a primavera, mesmo se no inverno já chegou. O amor espera sentado no banco da fidelidade, na estação da liberdade. O amor espera com muita lealdade, olhando atento quem partiu. O amor espera sem deixar de sonhar. O amor espera sem deixar de ser amor. O amor espera o tempo do diferente. O amor espera quem ainda não chegou. O amor espera mesmo sem esperança. O amor espera mesmo sem lembrança. O amor espera o que viu e espera ainda mais o que não enxergou. O amor não teme esperar. O amor não teme a espera. O amor espera sem se entregar. O amor espera a aurora e não desperta sem o outro querer. O amor espera com o vento do contratempo e mesmo assim, não se deixa abater. O amor espera que passe e espera o que passou. O amor espera de olhos fechados. O amor espera o passo de quem se atrasou. O amor espera o tempo como o tempo espera o amor. O amor espera mesmo perdendo. O amor espera o sim e espera o não. O amor espera sem aprisionar, mas se prende decidindo esperar. O amor espera tudo sem cobrar nada. O amor espera para além dos muros. O amor espera até o fim da estrada.

3 de setembro de 2010

A ignorância faz parte da prova...

A ignorância faz parte da prova

O medo participa da entrega

E a alegria caminha com a dor

A confiança conhece o inesperado

Assim como o futuro conhece o que passou

Mas o que Deus nos tem reservado

“Nenhum olho viu”

Nenhum coração ousou sonhar

E nas idas e vindas da vida

Ouvimos a melodia da rotina

Mas dançamos conforme a música do Autor.




30 de agosto de 2010

Você conhece o Jamie?



É tanta desgraça estampada nos jornais, que a gente até se impressiona com uma notícia boa! Mas a História do Jamie para mim foi mais do que fantástica. O link da reportagem está no final desse artigo, e você pode conferir com detalhes essa bela história.

Jamie nasceu prematuro e foi dado como morto pelos médicos, que o entregaram aos seus pais para que os mesmos se despedissem dele. A mãe de Jamie, em um forte impulso maternal, desenrolou Jamie do seu cobertor e o colocou sobre o seu peito. Ela tocou e acariciou seu filho, disse qual era o seu nome e contou que ele tinha uma irmã. Conversou por um longo momento com Jamie e começou a perceber sinais de vida. Ao colocar um pouco de leite em contato com a boquinha dele, o bebê voltou a respirar.

A mãe acredita que o contato "pele a pele" com o filho foi definitivo para que ele conseguisse sobreviver. Para os médicos, mais um caso "inexplicável". Para mim, prova do poder do amor, do toque, do querer bem.

Se uma mãe testemunhou, pela graça de Deus, que seu amor podia trazer seu filho de volta à vida, fico imaginando o que o toque de Deus pode fazer conosco...

O toque de Deus nos traz de volta! Nos cura e nos enche de esperança. Seu Amor puro entra no sepulcro do nosso coração e nos ressuscita. O toque de Deus nunca nos deixa iguais. Não temos ideia do que Ele é capaz de realizar quando nos coloca em seu colo. Só precisamos ser pequenos como Jamie e deixar que o Amor nos ame.

Sejamos como o Jamie, provas da existência do Amor.


Confira a matéria na íntegra:

http://www.mirror.co.uk/news/top-stories/2010/08/27/two-hours-of-mum-s-cuddles-bring-dead-baby-boy-back-to-life-115875-22516908/

http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6305269469329406021

26 de agosto de 2010

Sem estratégias!



Eu sempre planejei tudo. Calculava a hora de sair e a de chegar. Sabia como faria do começo ao fim. Programava o dia nos mínimos detalhes e até os minutos eram contados. Imaginava situações, pensava até mesmo nos imprevistos e o que fazer ao me deparar com eles. Sempre gostei de reunião produtiva e de seguir pautas. Anotava na agenda tudo o que precisava fazer e tinha na cabeça até o que iria falar.

Sempre fui a estrategista da minha vida. A logística das coisas sempre esteve na minha cabeça como um programa de computador cheio de abas minimizadas. Tinha estratégia até para a estratégia! Ia conduzindo a minha vida com o controle “absoluto” de tudo.

Até que... Conheci alguém mais estrategista que eu. Mestre na arte de ter tudo sob o seu controle e cheio de maestria ao conduzir os mínimos detalhes de cada coisa. Ele tem um planejamento estratégico tão perfeito que chega a ser inacreditável. O tempo, grande desafio dos administradores, é sempre um aliado e não um inimigo. Para Ele, nada é complicado e as oportunidades têm potência mil. Os pontos negativos parecem ajudar mais do que os positivos, tamanha a sua capacidade de “trabalhar com instrumentos insuficientes”. E o melhor; nada para Ele é impossível, insolúvel ou intransponível.

Diante da estratégia Dele, tive que deixar as minhas estratégias! Sem estratégias!

Aliais, embora não tenha perdido metade de todas as manias que citei acima, hoje, todas as “ferramentas” estão à disposição de uma única estratégia:

Deixar que Deus seja o estrategista da minha vida!

19 de agosto de 2010

O CÉU GRITA!

O céu grita! Tenho repetido muito essa frase ultimamente. Depois que voltei a morar em Fortaleza, há pouco mais de um ano, pedi muito a Deus que Ele continuasse conduzindo os meus passos e a minha vida. E é impressionante que hoje, mais do que antes, sinto que não tenho mais o controle dela. E acho que é isso que acontece com quem consagra sua vida a Deus. Aquela velha história de deixar Deus conduzir o barco da nossa vida pelos mares da Sua vontade...

Tenho experimentado grandes intervenções de Deus através de pequenos detalhes. Detalhes quase imperceptíveis aos olhos desatentos, porém fortes aos corações sedentos do que não passa. Verdadeiros “gritos do céu”!E queria aproveitar essa postagem para contar uma das intervenções de Deus na minha vida que teve o blog “Margaridas do Inverno” como fruto.

Alguns amigos mais próximos sempre insistiram para que eu nunca deixasse de escrever, mas confesso que fui enterrando o dom, não de propósito, porém vários fatores foram me fazendo escrever cada vez menos, até quase parar. Se não fossem as cartas aos amigos distantes e a oração pessoal, teria sido uma parada total!

Então, nesse tempo de recomeço, tive que repensar e rezar sobre o lugar da escrita na minha vida. Fugi o quanto pude! E fugi muito, acreditem! Mas Deus nunca deixou de inquietar meu coração quanto a isso e mês passado fui rezar disposta a “resolver” essa situação. Pedi um sinal claro de Deus para saber se era vontade Dele que eu retornasse a escrever e como deveria fazê-lo. Óbvio que coloquei na oração todos os problemas que eu encontrava para escrever: tempo, “ferrugem” gramatical, timidez, falta de computador acessível etc. Mas apresentei a Deus e deixei que Ele se virasse.

E ele “se virou” bem (risos). No dia seguinte, na hora do almoço, por providência, encontrei com a Emmir no shopping em um local que eu nunca almoço e nem ela. Ali foi o primeiro sinal. Pois mesmo sem ter tocado no assunto durante o almoço, a Emmir sempre foi uma grande inspiração e pra quem mora em Fortaleza e conhece a Emmir, sabe que as chances de uma situação dessas acontecer são mínimas. Depois, senti o desejo de ajudar a equipe de divulgação do Halleluya e me coloquei à disposição do coordenador, pensando eu que iria entregar panfleto e tal... Onde me colocaram? Na assessoria de imprensa, para escrever. Essa equipe, a quem gostaria de agradecer novamente, também me apresentou e me inseriu nesse “mundo virtual” que eu não conhecia. O meu coração já estava se abrindo, foi quando comecei o blog. Escrevia mas não divulgava. Tinha, mas não tinha esse espaço... Não sei explicar, mas sei que a última vez que o céu gritou em relação a isso foi me dando um notebook de presente, para poder escrever com mais tranqüilidade e em todos os lugares. Deus é bom.

Quis partilhar tudo isso para agradecer a Deus pelas pequenas e grandes intervenções Dele na minha vida. Por essa Presença constante, amorosa e fiel. E também para agradecer aos fiéis seguidores deste blog que me surpreendem com o carinho e amizade. Como coloquei no título, essa espaço existe para evangelizar e para “encontrar no cotidiano a marcar do Eterno”. Obrigada a todos. Shalom!

16 de agosto de 2010

Cristo nunca me deixou faltar nada!!!



Cristo nunca me deixou faltar nada! Nem sonhos, nem verdade! Nem amizades, nem amores! Nem beleza, nem riqueza! Minha vida nunca foi uma renúncia forçada e cheia de privações. Nunca foi um “não” a mim mesma e aos meus desejos. Nunca fiquei aquém dos melhores sentimentos e das melhores relações. Optei por algo diferente, maior do que a proposta oferecida e mais conhecida. Amei e fui muito amada. Conheci a força do perdão. Decepcionei e fui decepcionada. Cai e levantei. Fiz amigos. Conheci muitos lugares. Descobri um sentido e me cansei por algo que vale a pena. Tive medo, chorei. Fui consolada, fui lançada...Perdi e me encontrei. Recebi muito mais do que eu dei. Entrei na vida de pessoas, conheci laços mais fortes do que os de sangue e vi Deus tecer uma história com mãos firmes e suaves. Testemunhei milagres. Sempre fui livre, mesmo dando minha liberdade a Alguém. Sorri o riso da pureza e cantei o hino da castidade. O que eu não experimentei? Não conheci. Hoje só sinto falta daquilo que faz meu coração pulsar, daquilo que eu sou de verdade e para quem eu sou. Ao contrário do que podem pensar, optar por Deus é descobrir uma fonte que nunca seca, uma novidade que sempre encanta e um caminho cheio de felicidade.

Vivi plenamente e intensamente, e o melhor, permaneci inteira. Meu coração está guardado. Não foi posto à venda e nem devorado. Não tenho medo de afirmar que já conheci o verdadeiro amor. Sei que nunca vi ninguém arrependido de ter dado tudo a Deus. Nunca vi ninguém morrer de tristeza ou de depressão porque amou demais a Deus. O que já não posso dizer sobre quem optou por seguir a si. Ponho minha vida nas mãos de quem me conhece, e até dormindo experimento o sono dos amigos, como diz o salmista. Tranquilidade e proteção não são palavras vazias. E tudo isso é só o começo de algo que será para sempre. Sempre vivi um amor sem prazo de validade. E posso dizer, sem receio, que Cristo foi e é a “alegria da minha juventude”!

Pra terminar, faço minhas as palavras do Papa: “Quem deixa entrar Cristo na sua vida não perde nada, nada, absolutamente nada do que faz a vida livre, bela e grande. Não! Só com esta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só com esta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só com esta amizade experimentamos o que é belo e o que nos liberta’. Estai plenamente convencidos: Cristo não tira nada do que há de formoso e grande em vós, mas leva tudo à perfeição para a glória de Deus, a felicidade dos homens e a salvação do mundo”(Bento XVI)

15 de agosto de 2010

TEMPO DO GRANDE SILÊNCIO



É o tempo do grande silêncio!
Os Teus dedos tocam as marcas invisíveis da dor
E eles recolhem os frutos do chão.

Caminhas no deserto de minha alma
E permaneces onde eu estou.

No escuro consegues encontrar
O que eu ainda estou a procurar...

E enxergas com nitidez,
Aquilo que não sei quando verei!

A espada ainda está fincada
Com o medo no coração,
Mas a Tua mão certa
Também encerra
A tranquilidade do amor
Em quem muito amado,
Rendeu-se ao inesperado
E reencontrou um novo Senhor.

14 de agosto de 2010

INCONDICIONAL




Quanto há no incondicional que se possa achar?
Ir aonde for, fazer tudo sem hesitar
Não pôr limites no amor
Nem no que ele pode realizar
Seguir sempre e para sempre
Em frente, sem voltar
Intensa e apaixonadamente
Entregar-se e entregar
Cada força, cada ato, cada dor
Custe pouco, nada ou tudo
Nunca parar.
Pois não poderá jamais a Paz existir
Se o Incondicional não resistir.

13 de agosto de 2010

A C R E D I T O !




Pode parecer fora de moda, piegas ou até “romântico”, mas eu acredito em um amor para a vida toda, na amizade verdadeira e que o mundo pode ser melhor. Acredito na bondade, na gentileza e no poder da sinceridade. Acredito que é sempre melhor falar a verdade e que pedir sempre é melhor do que brigar. Acredito na força de uma palavra sábia e de um carinho terno. Acredito nas pequenas coisas. Acredito na castidade, na virgindade antes do casamento e acredito que quem ama, sabe sim esperar. Acredito na paciência, na educação e no respeito ao diferente. Acredito que ainda tem gente honesta, do tipo que devolve dinheiro encontrado na rua e que não fica com o troco errado. Acredito que Deus escuta minhas orações e não está distante, como dizem. Acredito que um pouco de cuidado e atenção quebram um coração duro e desarmam uma cara feia. Acredito no perdão como cura de um bocado de males e que misericórdia e mansidão não enfraquecem ninguém. Acredito em quem sonha e não acho ridículo ter projetos “maiores” do que nós. Mas também acredito em quem sonha com os pés no chão, arregaça as mangas e vai lutar. Acredito na humildade e no silencio. Acredito na fidelidade. Acredito que a vida nunca pode ser tirada de ninguém, em qualquer situação que seja... Nada justifica! Acredito na solidariedade e que ainda tem gente que pensa mais nos outros do que em si (é raro, mas tem!). Acredito na família, santuário da vida. Acredito no Papa e acredito em milagres. Acredito e confio em Maria. Acredito em anjo da guarda e sei que o meu trabalha e muito! Acredito que só Deus basta. Acredito que nem o tempo e nem a dor podem roubar aquilo que somos. Acredito.

12 de agosto de 2010

Só vai entender quem é gente, pois falo do coração que já não é mais o mesmo de antigamente...



Antes, era bem mais fácil acreditar de novo e voltar ao caminho. A recuperação não era lenta e sobrava coragem para enfrentar os novos desafios. A caminhada parecia menos longa e a estrada um pouquinho mais larga. Medo era uma idéia distante. Quem não se sentiu assim logo que “conheceu” a Deus?

Os anos passam, não pesam, mas o desgaste é inegável! E é totalmente impossível prosseguir com o mesmo ritmo. A tolerância parece escorregar pelos dedos, bem como as mais belas atitudes que precisávamos ter. A língua parece está mais desobediente e a visão meio embaçada pela falta de esperança em algumas coisas que parecem nunca mudar. A estrada fica mais looooooooonga.... Quem nunca pensou: “será que eu vou mesmo chegar?”.

Não sei se me tornei mais difícil ou se tudo ficou “menos” fácil. Como Cristo, continuamos sem ter “aonde reclinar a cabeça”, sem toca e sem ninho. Então, o que fazer com o coração cansado, meio desgastado e incrédulo, duro como pedra, ao menos tempo, dolorido de compaixão? O que fazer quando o cansaço rouba as forças?

Uma vez, perguntei isso a Cristo. Sabem o que Ele me respondeu? “Você não precisa de forças, precisa de esperança”.

E essa esperança tem nascido na labuta do dia, nas provações constantes durante os anos e na certeza de que não temos para aonde ir, “pois só Ele tem palavras de vida eterna”. Essa esperança que vence o cansaço, mesmo sem extingui-lo, nasce do amor mais forte, amor comprovado! Nasce do sim mais doloroso, daquele tipo que rasga a alma. Nasce na oração e na Eucaristia! Nasce quando vemos alguém que persevera mesmo quando passa por sofrimentos maiores do que os nossos.

Mais louco de amor do que aquele que diz sim a Deus é aquele que permanece até o fim. E é essa loucura do amor que sustenta o coração quando o cansaço começa a caminhar conosco, sem ter dia pra ir embora e mesmo sem ter sido convidado. O bom é que a esperança sabe colocá-lo em seu devido lugar.

Bom, assim esperamos...

10 de agosto de 2010

O GRÃO


Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos: “Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muito fruto.Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna.” (Jo 12, 24-25)



Pequena parte, desprendida, destemida. Ele sabe a sua missão. Se não morrer, não terá vivido.

Sente a dureza do chão, o frio da solidão, afinal, só ele pode dizer sim. Vive a lenta oferta, vive o martírio branco. Depende do tempo, da terra, do sol... Precisa ser pobre!

Mas só estar lá não adianta! É preciso querer perder-se, buscando encontrar-se, sem saber ao certo o seu fim. Se o grão pensasse demais no seu fruto, correria o risco de achar que não valeria a pena, pois o segredo da oferta é confiar. E quem confia, sempre será surpreendido.

Ele vai desaparecendo, sumindo na noite da fé, escondendo-se dos medos e sendo conduzido pelo amor. Ele se uniu à terra em uma longa entrega, fez da sua “vida” uma silenciosa Consagração.

8 de agosto de 2010

Riqueza de verdade não se compra!



Ter fé, família e amigos. Ser amado, querido e único. Ter alegria, paz e direção. Sentido! Saber que a vida é um dom! Viver cada dia com a certeza de que alguém cuida de tudo. Ter sempre um lugar pra ir sem importar a hora, o dinheiro ou o dia. Fazer parte de alguém e pertencer. Sentir saudades e saber que sentem de você. Rir de si mesmo e das besteiras que faz. Receber um carinho. Abraço. Ter alguém que te enxerga melhor do que você se vê. Conversar na madrugada. Andar sem rumo na estrada, pisar na arreia, tomar banho de mar. Um colo, um cafuné... Um sorriso inesperado, um olhar de esperança. Cheirinho de lembranças, uma foto, um livro, um filme, um velho amigo que reencontrou. Contar e ouvir histórias. Fechar os olhos e viajar, sonhar, esperar sempre o melhor que ainda vem. Poder sempre recomeçar.

Nada disso tem preço ou cotação. Riqueza de verdade não se compra.

6 de agosto de 2010

MARCAS



Há alguns anos, fui coordenar um retiro no interior e a primeira palestra era sobre o Amor de Deus. Os participantes eram todos jovens. Depois da oração inicial, comecei a falar do Amor e sentia um incômodo nas pessoas enquanto eu falava.

Tinha a certeza que não estava agradando! Uma situação complicada. Mudei a forma de falar, fiz “palhaçada” pra descontrair e nada. Até que pedi para eles partilharem de dois em dois (sempre uma boa tática!) e, quase desesperadamente, clamei o Espírito Santo. E como Ele sempre me socorre, Ele inspirou que eu fizesse uma pergunta simples aos jovens, e eu obedeci.

Perguntei: Quem aqui acredita no Amor? Quem aqui acredita no que eu estou falando?

Para o meu espanto, ninguém levantou a mão. Aí eu brinquei, disse que eles não precisavam ter vergonha, que podiam levantar os braços e lancei a pergunta novamente. Sabe o que aconteceu? Ninguém levantou a mão, ninguém se pronunciou.

Claro que eu perguntei a eles o porquê e, descobri no decorrer do retiro, quando fui acompanhar um a um para saber o que estava acontecendo, que aquela cidade era um “point” de prostituição e como era uma cidade muito pobre, se prostituir era quase que o único meio de sobrevivência para alguns. E toda essa situação tinha destruído a noção de amor na cabeça e no coração daqueles jovens, a maioria deles, fruto de relações “comerciais".

Eram jovens sem família, sem pai, sem mãe. Muitos alcoólatras. Vi naqueles jovens marcas tão profundas de dor, de desamor, que fiquei profundamente mexida. Eram jovens “vividos” demais e feridos demais. Vi claramente que o que fere nosso corpo, alcança nossa alma. As marcas deles não eram as minhas, mas a dor deles, a partir daquele momento, passou a ser minha também. E a única diferença entre nós era o fato de eu ter, por pura graça, recebido amor, e eles não. De eu ter conhecido o Amor, e eles ainda não. Só isso.

Acredito que se o pecado nos marca, mas mais profundamente ainda pode nos marcar o Amor. Não há nada sujo que o amor não limpe. Há marcas que não somem, mas podem ser curadas e se tornarem marcas transfiguradas, testemunhas da Ressurreição. Passei o resto do retiro só tentando amar. Joguei os “resumos” das pregações e deixei que Deus nos mergulhasse no Amor dele, único caminho de verdadeira cura.

E nesse retiro eu entendi que em um mundo que imprime dor, somos chamados a ser profundas marcas do Amor.

Misericórdia Infinita



"Olha para tua história, tua vida

O que ainda te prende

Ao que passou?

Se tantos hinos cantamos

Tantos salmos recitamos

Falando da misericórdia infinita do Pai

tantos hinos cantamos

Tantos salmos recitamos

Falando da misericórdia infinita do Pai

Saibas, que todo o teu pecado, em toda a tua vida

É uma pequena gota que se derramou no mar

Da misericórdia infinita de Deus

Quem poderá dizer que ela existiu?

Foi uma pequena gota...

O mar a consumiu."


(Walmir Alencar)

http://www.youtube.com/watch?v=IlVEqY_0onc&feature=player_embedded

5 de agosto de 2010

Olhar o outro devagar...


Quanto mais conhecemos, mais amamos. Quanto mais amamos, mais conhecemos. O amor sem conhecimento é casa construída na areia. E conhecimento sem amor de nada serve. Os dois precisam caminhar juntos. Juntos também ao tempo, que se encarrega de revelar o que existe de mais precioso.

Já prestou atenção que quem você mais ama é quem você mais conhece? Conhece e sabe que a pessoa está chegando pela forma como ela pisa no chão. Sabe decifrar todos os olhares e sorrisos, mesmo os mais silenciosos. Sabe exatamente o que ela está pensando e, às vezes, sabe até o que a pessoa vai falar.

Conhece as virtudes dela e a defende com unhas e dentes se alguém pensar em falar mal. É fã número 1 e enxerga aquela pessoa de forma única. Não consegue entender como os outros não descobriram toda a beleza que ela tem.

Mas o mais impressionante é que quando amamos e conhecemos alguém de verdade, conhecemos as fraquezas, os pecados, os defeitos mais escondidos, as “falhas” no acabamento... E se amamos mesmo, nada disso assusta ou faz recuar. O pecado de quem amamos torna o desafio do amor mais enriquecedor. Não tememos as fraquezas de quem amamos, tememos não amá-lo por inteiro.

Sinto falta de gente que investe em gente, que “perde” tempo para conhecer, que está disposto a ir até o fim, mesmo quando tropeçar em algum defeito. Na verdade, sinto falta de gente que não pára no muro, que atravessa o limite “seguro” para ir ao encontro do outro como ele realmente é.

Como um dia disse sabiamente o Pe. Fabio de Melo “é preciso olhar as pessoas devagar...” Quantos já nos olharam rápido demais? Não façamos o mesmo. Quem não se lembra da historinha do Pequeno Príncipe? “O essencial é invisível aos olhos, só vemos bem com o coração” ou “Foi o tempo que eu perdi com minha rosa que a fez tão importante para mim.”

Na era do “virtual”, precisamos acreditar no real amor que se compromete, amor que conhece, amor que não desiste, amor que insiste e que se torna de fato, caminho para a descoberta de Deus.

4 de agosto de 2010

Simplesmente Delicado

Eu acredito que o amor é “mais forte do que a morte”, ele é poderoso e “nem as torrentes das grandes águas poderão apagá-lo”. Mas eu acredito que o amor, com toda a sua potência, é extremamente delicado.

O amor sempre pede passagem e só entra se for convidado. Ele não se importa em esperar até que você abra a porta. O amor se preocupa se você está bem e pergunta como foi o seu dia. O amor é sutil, se preocupa com os pequenos detalhes e sempre sabe como agir, pois apesar de ser constante, sabe lidar com os imprevistos.

O amor nunca incomoda, é respeitador ao extremo e arrisca tudo e o tempo todo para não ferir a sua liberdade. O amor sabe dar flores, levanta para você sentar e sempre faz com que todos se sintam confortáveis. Conhece os seus gostos e sabe a sua cor preferida.

Na sua delicadeza, o amor é sempre sincero. Corrige, “puxa as orelhas”, quer ver crescer. Não se importa com o que falarão dele, ele está unicamente interessado em você. Ele quer o seu bem, mas vai sempre saber ser pequeno e acolhedor quando descobrir o grande pecador. E não julga, está muito ocupado em amar.

O amor é prontidão, é bilhetinho de obrigado, é beijo de boa noite, é riso disfarçado, é ombro, é colo e é travesseiro com "cheirinho” de fronha lavada. É sabor de comida da nossa casa.O amor é a palavra certa, no momento certo e silêncio precioso no momento mais necessário. O amor só precisa olhar. Ele é segurança sem fazer nada e protege do frio com o cobertor da amizade.

O amor não prende, ele entende. Ele é exigente, mas não cobra. Ele é firme, mas surpreende com seu modo de nos vencer. Ele sempre, sempre, sempre vai até o fim. E permanece fiel mesmo traído, mesmo esquecido. Ele cuida quando precisa e permanece lá, mesmo quando todos vão embora. Ele é o último a sair e o primeiro a chegar. Ele apaga a luz, mas acende a esperança.

Não entendo muito do Amor, mas sei que sou amada assim.

Vem Espírito Santo


"O Espírito Santo é capaz de criar em mim o que não existe e destruir o que parece indestrutível." Hans Urs von Balthasar

Eu tenho um amor muito especial pelo Espírito Santo, e acho que, muitas vezes, não conhecemos bem esse Grande Auxílio do Alto!O Espírito Santo, terceira Pessoa da Santíssima Trindade, é a força que precisamos para continuarmos firmes, é o fogo que queima a frieza da nossa rotina, é quem nos abre aos "sussurros de Deus" no nosso cotidiano, é quem nos faz ir além dos nossos limites e quem nos conduz retamente aos planos e projetos do Pai para nós.

Tenho a impressão que só lembramos Dele quando estamos nas aulas de catecismo ou iniciando uma oração, por exemplo. Mas podemos contar com Ele para tudo, para as decisões mais simples e para as situações mais corriqueiras.

Por isso, começamos o dia de hoje suplicando: Vem Espírito Santo!

3 de agosto de 2010

"Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!"


“Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados, e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir a teu encontro, caminhando sobre a água”. E Jesus respondeu: “Vem!”. Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” Assim que subiram na barca, o vento se acalmou.” Mt 14,26-32

Aproveitando o Evangelho de hoje, queria dedicar algumas poucas palavras ao meu “amigo” São Pedro. Eu sou encantada com o mistério da eleição de Pedro. Homem forte, decidido, impulsivo. Ao mesmo tempo, não deixava de ser de “carne e osso”, era fraco e inconstante. Precisou errar, pecar e negar para conhecer a misericórdia e o amor e, assim, crescer na fé e no seguimento de Cristo.

Mas uma característica em Pedro e outra em Jesus me “saltam aos olhos” nesta bela história de amizade que eles tiveram.

O que me impressiona mais em Pedro é sua iniciativa, é o fato dele ser ele mesmo, ou seja, fazia o que estava em seu coração, dizia o que pensava e era extremamente sincero com Jesus e com todos ao seu redor. Acho incrível a coragem com a qual ele diz “Tu sabes tudo, Senhor, Tu sabes que eu te amo”, mesmo depois de ter negado descaradamente a Cristo. Mas ele disse isso porque era a grande verdade do seu coração. Ou quando ele não entende nada e chama Jesus a parte para repreendê-lo quando o mesmo diz que deveria sofrer... Chega a ser até engraçado imaginar a cena! Esse é o mesmo Pedro que tem a coragem de pedir para caminhar sobre as águas com Jesus e que tem medo quando já está lá com o Senhor.

E em Jesus, o que me deixa fascinada é o quanto Ele confiou em Pedro. Ele não desistiu nunca desse apóstolo teimoso e fraco. Quanto mais Pedro caia, mais Jesus o amava, mais Jesus acreditava nele. Talvez Pedro fosse tão livre para ser quem era devido ao grande amor que ele sabia que Jesus tinha por ele. Porque era um amor grande demais, daquele tipo que arrisca tudo, aliais, amor assim é o único amor verdadeiro.

Precisamos deixar que Jesus nos ame e confie em nós como fez com Pedro. E como Pedro, precisamos nos expor mais e deixarmos que o Amor nos molde, mesmo quando somos fracos e inconstantes. Pedro não esperou ser santo para amar a Cristo e Cristo não esperou nada de Pedro além do seu pobre amor.

Será que essa história tem algo a ver com a nossa?

2 de agosto de 2010

COMPAIXÃO


“Naquele tempo, quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu e foi de barco para um lugar deserto e afastado. Mas quando as multidões souberam disso, saíram das cidades e o seguiram a pé. Ao sair da barca, Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes.” Mt 14,13-14.

Compaixão, segundo o Aurélio, “é pesar que em nós desperta a dor”.
De acordo com a Wikipédia, “compaixão (do latim compassione) pode ser descrito como uma compreensão do estado emocional de outrem (...). A compaixão freqüentemente combina-se a um desejo de aliviar ou minorar o sofrimento de outro ser, bem como demonstrar especial gentileza com aqueles que sofrem. A compaixão é frequentemente caracterizada através de ações, na qual uma pessoa agindo com espírito de compaixão busca ajudar aqueles pelos quais se compadece.”

Segundo o Cristo, ter compaixão é ter as entranhas contorcidas, é amar tanto, é compadecer-se tanto, a ponto de entregar sua própria vida para curar a ferida de toda a humanidade.

E se o coração de Cristo “encheu-se de compaixão” pelo homem daquela época, imaginemos como está o coração de Cristo com relação ao homem de hoje. Porque a dor do homem, na maioria das vezes, conseqüência do pecado, parece ter aumentado de uma forma tão grande e tão constante, que a cada instante, um coração sensível ao outro tem do que se compadecer.

É filho matando pai, é irmão matando irmão, é mãe matando filho, é criança atirando em criança, é policial sendo “bandido”, é “bandido” sem punição. É família destroçada, é individualismo e solidão, é depressão... É suicídio, é droga, é alcoolismo. É gente, muita gente, sem direção. É cada um seguindo sua lei, o certo é relativo e quase nada é errado. É gente mutilada no corpo, e pior, é gente ferida na alma.

E se nosso coração está unido ao de Cristo, automaticamente, também se compadece. Jesus, no Evangelho, tinha acabado de saber da morte do seu primo. Estava sofrendo. Mas a sua dor, de forma alguma, cegou seus olhos e seu coração à dor da multidão que o esperava. Muitas vezes, a nossa dor se torna desculpa para não sofrermos a dor do outro com ele.

Mas esse milênio, já dizia João Paulo II, será evangelizado pela misericórdia. E também pela compaixão. Que a frieza do cotidiano e da correria de cada dia, jamais faça nosso coração se distanciar da dor do outro, afinal, uma multidão também nos espera.

Para finalizar, Madre Teresa de Calcutá nos incentiva: "A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração.”

31 de julho de 2010

O que Deus quer que eu seja...


Como o final de semana vai ser de muuuuuito trabalho, pois estamos reorganizando alguns setores do escritório, resolvi deixar um recadinho antes de ir dormir, porque não sei quando poderei postar algo novo.

Tava rezando agora a noite e me lembrei bastante de uma frase muito sábia que um padre me disse quando eu estava passando por um tempo bem difícil em minha vida. Eu fui conversar com ele e estava bem angustiada, com um grande medo de não fazer a vontade de Deus, de não estar fazendo aquilo que Deus desejava que eu fizesse... Ô medo grande!

Então, o padre olhou para mim e me disse: "Até agora, minha filha, você tem buscado com muita retidão fazer aquilo que Deus quer. Mas eu te proponho mudar essa busca. A partir de hoje, você não vai mais perguntar a Deus o que Ele quer que você faça. Você vai perguntar a Deus quem Ele quer que você seja."

É bem mais fácil, ou melhor, menos difícil fazer o que Deus quer quando somos aquilo que Ele deseja.

30 de julho de 2010

"Dias melhores pra sempre..."

“Vivemos esperando
O dia em que
Seremos melhores
(Melhores! Melhores!)
Melhores no amor
Melhores na dor
Melhores em tudo
Oh! Oh! Oh!...
Vivemos esperando
O dia em que seremos
Para sempre
Vivemos esperando
Oh! Oh! Oh!...
Dias melhores
Prá sempre...(4x)
Uh! Uh! Uh! Oh! Oh!
Prá sempre!
Sempre! Sempre! Sempre!...”
(Jota Quest – Rogério Flausino)


Hoje, estava no caminho do trabalho e na rádio estava tocando essa música. Não consegui imaginar “dias melhores prá sempre” sem pensar no céu. Sem pensar na eternidade bela e perfeita que Deus tem preparado para nós.

Essa SAUDADE de Deus que Santo Agostinho tanto pregou, que Paulo mencionou em suas cartas e que tantos outros homens e mulheres sentiram e sentem, ela precisa estar bem viva no nosso coração.

Não podemos olhar só para o hoje, que é extremamente importante, mas que não se basta em si mesmo. Olhar e desejar o céu nos enche de esperança, nos faz viver esse hoje com uma perspectiva de eternidade, de algo que não passa, de algo imutável. E é preciso sempre nos questionarmos se estamos nos preparando para o céu.

Lembro de uma historia que o Pe.Antônio contou quando ele foi à Londres em missão com a Emmir. Eles passaram dois dias pregando e ministrando o retiro intensamente. O padre, no entanto, havia programado um dia após o retiro para visitar Londres com a Emmir, que não conhecia a cidade.

Quando esse merecido dia de descanso chegou, e eles já estavam se preparando para sair, chegaram mais e mais pessoas à procura de oração e aconselhamento. A Emmir ficou um longo tempo atendendo às pessoas e o padre foi perguntá-la se eles ainda fariam o passeio. A resposta foi fantástica: “Padre, posso ir para o céu sem conhecer Londres, mas não posso ir sem fazer a vontade de Deus. E a vontade de Deus é que eu evangelize.”

Desejar o céu nos faz escolher apenas o que é essencial e nos ajuda a não perdermos muito tempo com aquilo que o próprio tempo destrói. Temos sede de céu dentro de nós! Temos sede de “dias melhores pra sempre”!

Vivemos esperando... Pois aqui é só o começo pálido de uma vida plena onde “seremos pra sempre”. E seremos o que verdadeiramente somos. O que verdadeiramente fomos criados para ser.

Que hoje, nosso coração deseje profundamente “dias melhores pra sempre” e opte pelo CÉU!!!!

29 de julho de 2010

Escolher “a melhor parte” escondida...

“Naquele tempo, Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa.Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!”.
O Senhor, porém, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas.Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”. Lc 10,38-42

Queria partilhar sobre essa passagem de uma forma diferente do que tradicionalmente encontramos. Hoje, a Igreja celebra a memória de Santa Marta, e quem é mais próximo, sabe que é um dia muito significativo para mim.

Essa passagem sempre foi um mistério. Pois entendo a dimensão da sublime importância de rezar, de escolher sempre o Senhor, de tê-lo como primazia em tudo. Mas eu sempre achei que as pessoas interpretavam mal o serviço de Marta, que também era um serviço para Jesus... E que Jesus não estava pedindo que ela parasse de servir, mas que ela nunca deixasse de ter o Senhor como razão e centro do seu serviço.

Bom, um dia, no Fórum Carismático Shalom de 1999 (estou ficando mesmo velha!), um pregador que veio dos EUA para esse evento começou a pregar sobre esta Palavra. Lembro bem que era a Emmir quem fazia a tradução. E ele começou a contar essa historia de uma forma diferente.

Ele narrou exatamente como o evangelista Lucas o fez, contou que Jesus estava na casa de Marta e que Maria ficou aos seus pés e que Marta se pôs a cozinhar e a servir o Senhor e seus discípulos, e que ao interrogar Jesus sobre Maria, foi exortada a escolher a melhor parte, etc. Vocês já sabem o que acontece. Pois bem, o pregador continuou a história dizendo que Marta, depois de ouvir Jesus, foi para a cozinha aos prantos, decidida a ficar aos pés do Senhor quando Ele viesse novamente à sua casa.

O tempo passou e Jesus voltou à casa de Marta, e dessa vez, estavam as duas, Marta e Maria, aos pés de Jesus. Contemplando-O e amando-O. Mas, de repente, eles ouviram alguns soluços de choro vindos da cozinha. Marta correu para ver o que acontecia, e viu o discípulo João chorando muito. Marta perguntou o que houve e João respondeu que estava triste, pois seu Mestre estava cansado, com fome e ninguém havia preparado nada para Ele comer. João chorava e dizia que, dessa vez, ninguém havia escolhido a melhor parte escondido.

Lembro que ao terminar de traduzir a história que o pregador contava, Emmir ficou visivelmente emocionada. E eu também. O que seria de nós sem aqueles que escolhem servir? Sem aqueles que escolhem a “melhor parte” de forma bem escondida? Tem como rezar e não servir ou servir sem antes rezar? Maria e Marta têm muito a nos ensinar.