Social Icons

twitterfacebookShalomvaticanorss feedemail

30 de agosto de 2010

Você conhece o Jamie?



É tanta desgraça estampada nos jornais, que a gente até se impressiona com uma notícia boa! Mas a História do Jamie para mim foi mais do que fantástica. O link da reportagem está no final desse artigo, e você pode conferir com detalhes essa bela história.

Jamie nasceu prematuro e foi dado como morto pelos médicos, que o entregaram aos seus pais para que os mesmos se despedissem dele. A mãe de Jamie, em um forte impulso maternal, desenrolou Jamie do seu cobertor e o colocou sobre o seu peito. Ela tocou e acariciou seu filho, disse qual era o seu nome e contou que ele tinha uma irmã. Conversou por um longo momento com Jamie e começou a perceber sinais de vida. Ao colocar um pouco de leite em contato com a boquinha dele, o bebê voltou a respirar.

A mãe acredita que o contato "pele a pele" com o filho foi definitivo para que ele conseguisse sobreviver. Para os médicos, mais um caso "inexplicável". Para mim, prova do poder do amor, do toque, do querer bem.

Se uma mãe testemunhou, pela graça de Deus, que seu amor podia trazer seu filho de volta à vida, fico imaginando o que o toque de Deus pode fazer conosco...

O toque de Deus nos traz de volta! Nos cura e nos enche de esperança. Seu Amor puro entra no sepulcro do nosso coração e nos ressuscita. O toque de Deus nunca nos deixa iguais. Não temos ideia do que Ele é capaz de realizar quando nos coloca em seu colo. Só precisamos ser pequenos como Jamie e deixar que o Amor nos ame.

Sejamos como o Jamie, provas da existência do Amor.


Confira a matéria na íntegra:

http://www.mirror.co.uk/news/top-stories/2010/08/27/two-hours-of-mum-s-cuddles-bring-dead-baby-boy-back-to-life-115875-22516908/

http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6305269469329406021

26 de agosto de 2010

Sem estratégias!



Eu sempre planejei tudo. Calculava a hora de sair e a de chegar. Sabia como faria do começo ao fim. Programava o dia nos mínimos detalhes e até os minutos eram contados. Imaginava situações, pensava até mesmo nos imprevistos e o que fazer ao me deparar com eles. Sempre gostei de reunião produtiva e de seguir pautas. Anotava na agenda tudo o que precisava fazer e tinha na cabeça até o que iria falar.

Sempre fui a estrategista da minha vida. A logística das coisas sempre esteve na minha cabeça como um programa de computador cheio de abas minimizadas. Tinha estratégia até para a estratégia! Ia conduzindo a minha vida com o controle “absoluto” de tudo.

Até que... Conheci alguém mais estrategista que eu. Mestre na arte de ter tudo sob o seu controle e cheio de maestria ao conduzir os mínimos detalhes de cada coisa. Ele tem um planejamento estratégico tão perfeito que chega a ser inacreditável. O tempo, grande desafio dos administradores, é sempre um aliado e não um inimigo. Para Ele, nada é complicado e as oportunidades têm potência mil. Os pontos negativos parecem ajudar mais do que os positivos, tamanha a sua capacidade de “trabalhar com instrumentos insuficientes”. E o melhor; nada para Ele é impossível, insolúvel ou intransponível.

Diante da estratégia Dele, tive que deixar as minhas estratégias! Sem estratégias!

Aliais, embora não tenha perdido metade de todas as manias que citei acima, hoje, todas as “ferramentas” estão à disposição de uma única estratégia:

Deixar que Deus seja o estrategista da minha vida!

19 de agosto de 2010

O CÉU GRITA!

O céu grita! Tenho repetido muito essa frase ultimamente. Depois que voltei a morar em Fortaleza, há pouco mais de um ano, pedi muito a Deus que Ele continuasse conduzindo os meus passos e a minha vida. E é impressionante que hoje, mais do que antes, sinto que não tenho mais o controle dela. E acho que é isso que acontece com quem consagra sua vida a Deus. Aquela velha história de deixar Deus conduzir o barco da nossa vida pelos mares da Sua vontade...

Tenho experimentado grandes intervenções de Deus através de pequenos detalhes. Detalhes quase imperceptíveis aos olhos desatentos, porém fortes aos corações sedentos do que não passa. Verdadeiros “gritos do céu”!E queria aproveitar essa postagem para contar uma das intervenções de Deus na minha vida que teve o blog “Margaridas do Inverno” como fruto.

Alguns amigos mais próximos sempre insistiram para que eu nunca deixasse de escrever, mas confesso que fui enterrando o dom, não de propósito, porém vários fatores foram me fazendo escrever cada vez menos, até quase parar. Se não fossem as cartas aos amigos distantes e a oração pessoal, teria sido uma parada total!

Então, nesse tempo de recomeço, tive que repensar e rezar sobre o lugar da escrita na minha vida. Fugi o quanto pude! E fugi muito, acreditem! Mas Deus nunca deixou de inquietar meu coração quanto a isso e mês passado fui rezar disposta a “resolver” essa situação. Pedi um sinal claro de Deus para saber se era vontade Dele que eu retornasse a escrever e como deveria fazê-lo. Óbvio que coloquei na oração todos os problemas que eu encontrava para escrever: tempo, “ferrugem” gramatical, timidez, falta de computador acessível etc. Mas apresentei a Deus e deixei que Ele se virasse.

E ele “se virou” bem (risos). No dia seguinte, na hora do almoço, por providência, encontrei com a Emmir no shopping em um local que eu nunca almoço e nem ela. Ali foi o primeiro sinal. Pois mesmo sem ter tocado no assunto durante o almoço, a Emmir sempre foi uma grande inspiração e pra quem mora em Fortaleza e conhece a Emmir, sabe que as chances de uma situação dessas acontecer são mínimas. Depois, senti o desejo de ajudar a equipe de divulgação do Halleluya e me coloquei à disposição do coordenador, pensando eu que iria entregar panfleto e tal... Onde me colocaram? Na assessoria de imprensa, para escrever. Essa equipe, a quem gostaria de agradecer novamente, também me apresentou e me inseriu nesse “mundo virtual” que eu não conhecia. O meu coração já estava se abrindo, foi quando comecei o blog. Escrevia mas não divulgava. Tinha, mas não tinha esse espaço... Não sei explicar, mas sei que a última vez que o céu gritou em relação a isso foi me dando um notebook de presente, para poder escrever com mais tranqüilidade e em todos os lugares. Deus é bom.

Quis partilhar tudo isso para agradecer a Deus pelas pequenas e grandes intervenções Dele na minha vida. Por essa Presença constante, amorosa e fiel. E também para agradecer aos fiéis seguidores deste blog que me surpreendem com o carinho e amizade. Como coloquei no título, essa espaço existe para evangelizar e para “encontrar no cotidiano a marcar do Eterno”. Obrigada a todos. Shalom!

16 de agosto de 2010

Cristo nunca me deixou faltar nada!!!



Cristo nunca me deixou faltar nada! Nem sonhos, nem verdade! Nem amizades, nem amores! Nem beleza, nem riqueza! Minha vida nunca foi uma renúncia forçada e cheia de privações. Nunca foi um “não” a mim mesma e aos meus desejos. Nunca fiquei aquém dos melhores sentimentos e das melhores relações. Optei por algo diferente, maior do que a proposta oferecida e mais conhecida. Amei e fui muito amada. Conheci a força do perdão. Decepcionei e fui decepcionada. Cai e levantei. Fiz amigos. Conheci muitos lugares. Descobri um sentido e me cansei por algo que vale a pena. Tive medo, chorei. Fui consolada, fui lançada...Perdi e me encontrei. Recebi muito mais do que eu dei. Entrei na vida de pessoas, conheci laços mais fortes do que os de sangue e vi Deus tecer uma história com mãos firmes e suaves. Testemunhei milagres. Sempre fui livre, mesmo dando minha liberdade a Alguém. Sorri o riso da pureza e cantei o hino da castidade. O que eu não experimentei? Não conheci. Hoje só sinto falta daquilo que faz meu coração pulsar, daquilo que eu sou de verdade e para quem eu sou. Ao contrário do que podem pensar, optar por Deus é descobrir uma fonte que nunca seca, uma novidade que sempre encanta e um caminho cheio de felicidade.

Vivi plenamente e intensamente, e o melhor, permaneci inteira. Meu coração está guardado. Não foi posto à venda e nem devorado. Não tenho medo de afirmar que já conheci o verdadeiro amor. Sei que nunca vi ninguém arrependido de ter dado tudo a Deus. Nunca vi ninguém morrer de tristeza ou de depressão porque amou demais a Deus. O que já não posso dizer sobre quem optou por seguir a si. Ponho minha vida nas mãos de quem me conhece, e até dormindo experimento o sono dos amigos, como diz o salmista. Tranquilidade e proteção não são palavras vazias. E tudo isso é só o começo de algo que será para sempre. Sempre vivi um amor sem prazo de validade. E posso dizer, sem receio, que Cristo foi e é a “alegria da minha juventude”!

Pra terminar, faço minhas as palavras do Papa: “Quem deixa entrar Cristo na sua vida não perde nada, nada, absolutamente nada do que faz a vida livre, bela e grande. Não! Só com esta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só com esta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só com esta amizade experimentamos o que é belo e o que nos liberta’. Estai plenamente convencidos: Cristo não tira nada do que há de formoso e grande em vós, mas leva tudo à perfeição para a glória de Deus, a felicidade dos homens e a salvação do mundo”(Bento XVI)

15 de agosto de 2010

TEMPO DO GRANDE SILÊNCIO



É o tempo do grande silêncio!
Os Teus dedos tocam as marcas invisíveis da dor
E eles recolhem os frutos do chão.

Caminhas no deserto de minha alma
E permaneces onde eu estou.

No escuro consegues encontrar
O que eu ainda estou a procurar...

E enxergas com nitidez,
Aquilo que não sei quando verei!

A espada ainda está fincada
Com o medo no coração,
Mas a Tua mão certa
Também encerra
A tranquilidade do amor
Em quem muito amado,
Rendeu-se ao inesperado
E reencontrou um novo Senhor.

14 de agosto de 2010

INCONDICIONAL




Quanto há no incondicional que se possa achar?
Ir aonde for, fazer tudo sem hesitar
Não pôr limites no amor
Nem no que ele pode realizar
Seguir sempre e para sempre
Em frente, sem voltar
Intensa e apaixonadamente
Entregar-se e entregar
Cada força, cada ato, cada dor
Custe pouco, nada ou tudo
Nunca parar.
Pois não poderá jamais a Paz existir
Se o Incondicional não resistir.

13 de agosto de 2010

A C R E D I T O !




Pode parecer fora de moda, piegas ou até “romântico”, mas eu acredito em um amor para a vida toda, na amizade verdadeira e que o mundo pode ser melhor. Acredito na bondade, na gentileza e no poder da sinceridade. Acredito que é sempre melhor falar a verdade e que pedir sempre é melhor do que brigar. Acredito na força de uma palavra sábia e de um carinho terno. Acredito nas pequenas coisas. Acredito na castidade, na virgindade antes do casamento e acredito que quem ama, sabe sim esperar. Acredito na paciência, na educação e no respeito ao diferente. Acredito que ainda tem gente honesta, do tipo que devolve dinheiro encontrado na rua e que não fica com o troco errado. Acredito que Deus escuta minhas orações e não está distante, como dizem. Acredito que um pouco de cuidado e atenção quebram um coração duro e desarmam uma cara feia. Acredito no perdão como cura de um bocado de males e que misericórdia e mansidão não enfraquecem ninguém. Acredito em quem sonha e não acho ridículo ter projetos “maiores” do que nós. Mas também acredito em quem sonha com os pés no chão, arregaça as mangas e vai lutar. Acredito na humildade e no silencio. Acredito na fidelidade. Acredito que a vida nunca pode ser tirada de ninguém, em qualquer situação que seja... Nada justifica! Acredito na solidariedade e que ainda tem gente que pensa mais nos outros do que em si (é raro, mas tem!). Acredito na família, santuário da vida. Acredito no Papa e acredito em milagres. Acredito e confio em Maria. Acredito em anjo da guarda e sei que o meu trabalha e muito! Acredito que só Deus basta. Acredito que nem o tempo e nem a dor podem roubar aquilo que somos. Acredito.

12 de agosto de 2010

Só vai entender quem é gente, pois falo do coração que já não é mais o mesmo de antigamente...



Antes, era bem mais fácil acreditar de novo e voltar ao caminho. A recuperação não era lenta e sobrava coragem para enfrentar os novos desafios. A caminhada parecia menos longa e a estrada um pouquinho mais larga. Medo era uma idéia distante. Quem não se sentiu assim logo que “conheceu” a Deus?

Os anos passam, não pesam, mas o desgaste é inegável! E é totalmente impossível prosseguir com o mesmo ritmo. A tolerância parece escorregar pelos dedos, bem como as mais belas atitudes que precisávamos ter. A língua parece está mais desobediente e a visão meio embaçada pela falta de esperança em algumas coisas que parecem nunca mudar. A estrada fica mais looooooooonga.... Quem nunca pensou: “será que eu vou mesmo chegar?”.

Não sei se me tornei mais difícil ou se tudo ficou “menos” fácil. Como Cristo, continuamos sem ter “aonde reclinar a cabeça”, sem toca e sem ninho. Então, o que fazer com o coração cansado, meio desgastado e incrédulo, duro como pedra, ao menos tempo, dolorido de compaixão? O que fazer quando o cansaço rouba as forças?

Uma vez, perguntei isso a Cristo. Sabem o que Ele me respondeu? “Você não precisa de forças, precisa de esperança”.

E essa esperança tem nascido na labuta do dia, nas provações constantes durante os anos e na certeza de que não temos para aonde ir, “pois só Ele tem palavras de vida eterna”. Essa esperança que vence o cansaço, mesmo sem extingui-lo, nasce do amor mais forte, amor comprovado! Nasce do sim mais doloroso, daquele tipo que rasga a alma. Nasce na oração e na Eucaristia! Nasce quando vemos alguém que persevera mesmo quando passa por sofrimentos maiores do que os nossos.

Mais louco de amor do que aquele que diz sim a Deus é aquele que permanece até o fim. E é essa loucura do amor que sustenta o coração quando o cansaço começa a caminhar conosco, sem ter dia pra ir embora e mesmo sem ter sido convidado. O bom é que a esperança sabe colocá-lo em seu devido lugar.

Bom, assim esperamos...

10 de agosto de 2010

O GRÃO


Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos: “Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muito fruto.Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna.” (Jo 12, 24-25)



Pequena parte, desprendida, destemida. Ele sabe a sua missão. Se não morrer, não terá vivido.

Sente a dureza do chão, o frio da solidão, afinal, só ele pode dizer sim. Vive a lenta oferta, vive o martírio branco. Depende do tempo, da terra, do sol... Precisa ser pobre!

Mas só estar lá não adianta! É preciso querer perder-se, buscando encontrar-se, sem saber ao certo o seu fim. Se o grão pensasse demais no seu fruto, correria o risco de achar que não valeria a pena, pois o segredo da oferta é confiar. E quem confia, sempre será surpreendido.

Ele vai desaparecendo, sumindo na noite da fé, escondendo-se dos medos e sendo conduzido pelo amor. Ele se uniu à terra em uma longa entrega, fez da sua “vida” uma silenciosa Consagração.

8 de agosto de 2010

Riqueza de verdade não se compra!



Ter fé, família e amigos. Ser amado, querido e único. Ter alegria, paz e direção. Sentido! Saber que a vida é um dom! Viver cada dia com a certeza de que alguém cuida de tudo. Ter sempre um lugar pra ir sem importar a hora, o dinheiro ou o dia. Fazer parte de alguém e pertencer. Sentir saudades e saber que sentem de você. Rir de si mesmo e das besteiras que faz. Receber um carinho. Abraço. Ter alguém que te enxerga melhor do que você se vê. Conversar na madrugada. Andar sem rumo na estrada, pisar na arreia, tomar banho de mar. Um colo, um cafuné... Um sorriso inesperado, um olhar de esperança. Cheirinho de lembranças, uma foto, um livro, um filme, um velho amigo que reencontrou. Contar e ouvir histórias. Fechar os olhos e viajar, sonhar, esperar sempre o melhor que ainda vem. Poder sempre recomeçar.

Nada disso tem preço ou cotação. Riqueza de verdade não se compra.

6 de agosto de 2010

MARCAS



Há alguns anos, fui coordenar um retiro no interior e a primeira palestra era sobre o Amor de Deus. Os participantes eram todos jovens. Depois da oração inicial, comecei a falar do Amor e sentia um incômodo nas pessoas enquanto eu falava.

Tinha a certeza que não estava agradando! Uma situação complicada. Mudei a forma de falar, fiz “palhaçada” pra descontrair e nada. Até que pedi para eles partilharem de dois em dois (sempre uma boa tática!) e, quase desesperadamente, clamei o Espírito Santo. E como Ele sempre me socorre, Ele inspirou que eu fizesse uma pergunta simples aos jovens, e eu obedeci.

Perguntei: Quem aqui acredita no Amor? Quem aqui acredita no que eu estou falando?

Para o meu espanto, ninguém levantou a mão. Aí eu brinquei, disse que eles não precisavam ter vergonha, que podiam levantar os braços e lancei a pergunta novamente. Sabe o que aconteceu? Ninguém levantou a mão, ninguém se pronunciou.

Claro que eu perguntei a eles o porquê e, descobri no decorrer do retiro, quando fui acompanhar um a um para saber o que estava acontecendo, que aquela cidade era um “point” de prostituição e como era uma cidade muito pobre, se prostituir era quase que o único meio de sobrevivência para alguns. E toda essa situação tinha destruído a noção de amor na cabeça e no coração daqueles jovens, a maioria deles, fruto de relações “comerciais".

Eram jovens sem família, sem pai, sem mãe. Muitos alcoólatras. Vi naqueles jovens marcas tão profundas de dor, de desamor, que fiquei profundamente mexida. Eram jovens “vividos” demais e feridos demais. Vi claramente que o que fere nosso corpo, alcança nossa alma. As marcas deles não eram as minhas, mas a dor deles, a partir daquele momento, passou a ser minha também. E a única diferença entre nós era o fato de eu ter, por pura graça, recebido amor, e eles não. De eu ter conhecido o Amor, e eles ainda não. Só isso.

Acredito que se o pecado nos marca, mas mais profundamente ainda pode nos marcar o Amor. Não há nada sujo que o amor não limpe. Há marcas que não somem, mas podem ser curadas e se tornarem marcas transfiguradas, testemunhas da Ressurreição. Passei o resto do retiro só tentando amar. Joguei os “resumos” das pregações e deixei que Deus nos mergulhasse no Amor dele, único caminho de verdadeira cura.

E nesse retiro eu entendi que em um mundo que imprime dor, somos chamados a ser profundas marcas do Amor.

Misericórdia Infinita



"Olha para tua história, tua vida

O que ainda te prende

Ao que passou?

Se tantos hinos cantamos

Tantos salmos recitamos

Falando da misericórdia infinita do Pai

tantos hinos cantamos

Tantos salmos recitamos

Falando da misericórdia infinita do Pai

Saibas, que todo o teu pecado, em toda a tua vida

É uma pequena gota que se derramou no mar

Da misericórdia infinita de Deus

Quem poderá dizer que ela existiu?

Foi uma pequena gota...

O mar a consumiu."


(Walmir Alencar)

http://www.youtube.com/watch?v=IlVEqY_0onc&feature=player_embedded

5 de agosto de 2010

Olhar o outro devagar...


Quanto mais conhecemos, mais amamos. Quanto mais amamos, mais conhecemos. O amor sem conhecimento é casa construída na areia. E conhecimento sem amor de nada serve. Os dois precisam caminhar juntos. Juntos também ao tempo, que se encarrega de revelar o que existe de mais precioso.

Já prestou atenção que quem você mais ama é quem você mais conhece? Conhece e sabe que a pessoa está chegando pela forma como ela pisa no chão. Sabe decifrar todos os olhares e sorrisos, mesmo os mais silenciosos. Sabe exatamente o que ela está pensando e, às vezes, sabe até o que a pessoa vai falar.

Conhece as virtudes dela e a defende com unhas e dentes se alguém pensar em falar mal. É fã número 1 e enxerga aquela pessoa de forma única. Não consegue entender como os outros não descobriram toda a beleza que ela tem.

Mas o mais impressionante é que quando amamos e conhecemos alguém de verdade, conhecemos as fraquezas, os pecados, os defeitos mais escondidos, as “falhas” no acabamento... E se amamos mesmo, nada disso assusta ou faz recuar. O pecado de quem amamos torna o desafio do amor mais enriquecedor. Não tememos as fraquezas de quem amamos, tememos não amá-lo por inteiro.

Sinto falta de gente que investe em gente, que “perde” tempo para conhecer, que está disposto a ir até o fim, mesmo quando tropeçar em algum defeito. Na verdade, sinto falta de gente que não pára no muro, que atravessa o limite “seguro” para ir ao encontro do outro como ele realmente é.

Como um dia disse sabiamente o Pe. Fabio de Melo “é preciso olhar as pessoas devagar...” Quantos já nos olharam rápido demais? Não façamos o mesmo. Quem não se lembra da historinha do Pequeno Príncipe? “O essencial é invisível aos olhos, só vemos bem com o coração” ou “Foi o tempo que eu perdi com minha rosa que a fez tão importante para mim.”

Na era do “virtual”, precisamos acreditar no real amor que se compromete, amor que conhece, amor que não desiste, amor que insiste e que se torna de fato, caminho para a descoberta de Deus.

4 de agosto de 2010

Simplesmente Delicado

Eu acredito que o amor é “mais forte do que a morte”, ele é poderoso e “nem as torrentes das grandes águas poderão apagá-lo”. Mas eu acredito que o amor, com toda a sua potência, é extremamente delicado.

O amor sempre pede passagem e só entra se for convidado. Ele não se importa em esperar até que você abra a porta. O amor se preocupa se você está bem e pergunta como foi o seu dia. O amor é sutil, se preocupa com os pequenos detalhes e sempre sabe como agir, pois apesar de ser constante, sabe lidar com os imprevistos.

O amor nunca incomoda, é respeitador ao extremo e arrisca tudo e o tempo todo para não ferir a sua liberdade. O amor sabe dar flores, levanta para você sentar e sempre faz com que todos se sintam confortáveis. Conhece os seus gostos e sabe a sua cor preferida.

Na sua delicadeza, o amor é sempre sincero. Corrige, “puxa as orelhas”, quer ver crescer. Não se importa com o que falarão dele, ele está unicamente interessado em você. Ele quer o seu bem, mas vai sempre saber ser pequeno e acolhedor quando descobrir o grande pecador. E não julga, está muito ocupado em amar.

O amor é prontidão, é bilhetinho de obrigado, é beijo de boa noite, é riso disfarçado, é ombro, é colo e é travesseiro com "cheirinho” de fronha lavada. É sabor de comida da nossa casa.O amor é a palavra certa, no momento certo e silêncio precioso no momento mais necessário. O amor só precisa olhar. Ele é segurança sem fazer nada e protege do frio com o cobertor da amizade.

O amor não prende, ele entende. Ele é exigente, mas não cobra. Ele é firme, mas surpreende com seu modo de nos vencer. Ele sempre, sempre, sempre vai até o fim. E permanece fiel mesmo traído, mesmo esquecido. Ele cuida quando precisa e permanece lá, mesmo quando todos vão embora. Ele é o último a sair e o primeiro a chegar. Ele apaga a luz, mas acende a esperança.

Não entendo muito do Amor, mas sei que sou amada assim.

Vem Espírito Santo


"O Espírito Santo é capaz de criar em mim o que não existe e destruir o que parece indestrutível." Hans Urs von Balthasar

Eu tenho um amor muito especial pelo Espírito Santo, e acho que, muitas vezes, não conhecemos bem esse Grande Auxílio do Alto!O Espírito Santo, terceira Pessoa da Santíssima Trindade, é a força que precisamos para continuarmos firmes, é o fogo que queima a frieza da nossa rotina, é quem nos abre aos "sussurros de Deus" no nosso cotidiano, é quem nos faz ir além dos nossos limites e quem nos conduz retamente aos planos e projetos do Pai para nós.

Tenho a impressão que só lembramos Dele quando estamos nas aulas de catecismo ou iniciando uma oração, por exemplo. Mas podemos contar com Ele para tudo, para as decisões mais simples e para as situações mais corriqueiras.

Por isso, começamos o dia de hoje suplicando: Vem Espírito Santo!

3 de agosto de 2010

"Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!"


“Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados, e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir a teu encontro, caminhando sobre a água”. E Jesus respondeu: “Vem!”. Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” Assim que subiram na barca, o vento se acalmou.” Mt 14,26-32

Aproveitando o Evangelho de hoje, queria dedicar algumas poucas palavras ao meu “amigo” São Pedro. Eu sou encantada com o mistério da eleição de Pedro. Homem forte, decidido, impulsivo. Ao mesmo tempo, não deixava de ser de “carne e osso”, era fraco e inconstante. Precisou errar, pecar e negar para conhecer a misericórdia e o amor e, assim, crescer na fé e no seguimento de Cristo.

Mas uma característica em Pedro e outra em Jesus me “saltam aos olhos” nesta bela história de amizade que eles tiveram.

O que me impressiona mais em Pedro é sua iniciativa, é o fato dele ser ele mesmo, ou seja, fazia o que estava em seu coração, dizia o que pensava e era extremamente sincero com Jesus e com todos ao seu redor. Acho incrível a coragem com a qual ele diz “Tu sabes tudo, Senhor, Tu sabes que eu te amo”, mesmo depois de ter negado descaradamente a Cristo. Mas ele disse isso porque era a grande verdade do seu coração. Ou quando ele não entende nada e chama Jesus a parte para repreendê-lo quando o mesmo diz que deveria sofrer... Chega a ser até engraçado imaginar a cena! Esse é o mesmo Pedro que tem a coragem de pedir para caminhar sobre as águas com Jesus e que tem medo quando já está lá com o Senhor.

E em Jesus, o que me deixa fascinada é o quanto Ele confiou em Pedro. Ele não desistiu nunca desse apóstolo teimoso e fraco. Quanto mais Pedro caia, mais Jesus o amava, mais Jesus acreditava nele. Talvez Pedro fosse tão livre para ser quem era devido ao grande amor que ele sabia que Jesus tinha por ele. Porque era um amor grande demais, daquele tipo que arrisca tudo, aliais, amor assim é o único amor verdadeiro.

Precisamos deixar que Jesus nos ame e confie em nós como fez com Pedro. E como Pedro, precisamos nos expor mais e deixarmos que o Amor nos molde, mesmo quando somos fracos e inconstantes. Pedro não esperou ser santo para amar a Cristo e Cristo não esperou nada de Pedro além do seu pobre amor.

Será que essa história tem algo a ver com a nossa?

2 de agosto de 2010

COMPAIXÃO


“Naquele tempo, quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu e foi de barco para um lugar deserto e afastado. Mas quando as multidões souberam disso, saíram das cidades e o seguiram a pé. Ao sair da barca, Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes.” Mt 14,13-14.

Compaixão, segundo o Aurélio, “é pesar que em nós desperta a dor”.
De acordo com a Wikipédia, “compaixão (do latim compassione) pode ser descrito como uma compreensão do estado emocional de outrem (...). A compaixão freqüentemente combina-se a um desejo de aliviar ou minorar o sofrimento de outro ser, bem como demonstrar especial gentileza com aqueles que sofrem. A compaixão é frequentemente caracterizada através de ações, na qual uma pessoa agindo com espírito de compaixão busca ajudar aqueles pelos quais se compadece.”

Segundo o Cristo, ter compaixão é ter as entranhas contorcidas, é amar tanto, é compadecer-se tanto, a ponto de entregar sua própria vida para curar a ferida de toda a humanidade.

E se o coração de Cristo “encheu-se de compaixão” pelo homem daquela época, imaginemos como está o coração de Cristo com relação ao homem de hoje. Porque a dor do homem, na maioria das vezes, conseqüência do pecado, parece ter aumentado de uma forma tão grande e tão constante, que a cada instante, um coração sensível ao outro tem do que se compadecer.

É filho matando pai, é irmão matando irmão, é mãe matando filho, é criança atirando em criança, é policial sendo “bandido”, é “bandido” sem punição. É família destroçada, é individualismo e solidão, é depressão... É suicídio, é droga, é alcoolismo. É gente, muita gente, sem direção. É cada um seguindo sua lei, o certo é relativo e quase nada é errado. É gente mutilada no corpo, e pior, é gente ferida na alma.

E se nosso coração está unido ao de Cristo, automaticamente, também se compadece. Jesus, no Evangelho, tinha acabado de saber da morte do seu primo. Estava sofrendo. Mas a sua dor, de forma alguma, cegou seus olhos e seu coração à dor da multidão que o esperava. Muitas vezes, a nossa dor se torna desculpa para não sofrermos a dor do outro com ele.

Mas esse milênio, já dizia João Paulo II, será evangelizado pela misericórdia. E também pela compaixão. Que a frieza do cotidiano e da correria de cada dia, jamais faça nosso coração se distanciar da dor do outro, afinal, uma multidão também nos espera.

Para finalizar, Madre Teresa de Calcutá nos incentiva: "A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração.”