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25 de dezembro de 2014

Feliz Natal!

Contemplando-Te tão humilde, doce e despojado, fito os meus olhos em Ti, Pequeno Grande Salvador meu. Mistério tão inaudito que assombra, mas que também acalma, afinal, ultrapassa todo o humano compreender. Dormes sob o olhar justo de José, o silencioso. Dormes sob a fé de Maria, que também silenciosa guardava tudo em seu coração, meditando em seu íntimo. A Alegria está na manjedoura! A Luz que dissipa as trevas e a certeza de que não estou sozinha se encarnou! O dia amanheceu diferente, nosso Deus se fez gente, a terra recebeu o Céu. O coração, sem caber em si de encanto, vela o Menino Santo que nasceu para me fazer viver. Feliz Natal!

19 de dezembro de 2014

Manjedoura Vazia


Quando Você vier, quero estar esperando.  Não desejo me distrair com as luzes do sucesso, com os holofotes das conquistas e nem com o brilho do poder. Quando Você estiver chegando, não quero estar na busca desenfreada dos meus próprios planos, lutando pelos meus desejos ou ocupada com a minha “felicidade”. Quando Você estiver vindo, não quero estar nas lojas comprando presentes, nas filas dos shoppings ou nas ruas do centro. Quero me surpreender com a Sua chegada, com a grandeza da alegria do mais feliz encontro, com a sublime troca de olhares, com o sorriso tão querido... Mas não quero ser surpreendida por não estar onde deveria e me “perder” de Você.  Quando Você vier, quero que sejas meu encanto! Pois não quero estar fascinada pelo provisório. Quando Você estiver chegando, desejo que meu coração reconheça os seus passos, ou quem sabe, o seu choro de Menino. Quando Você estiver vindo, quero ser manjedoura vazia. Não quero estar tão cheia de mim e sem espaço para o Amor nascer.  Quando Você chegar, quero ouvir o silêncio da Adoração, do Céu que toca a terra do meu ser. Não quero que o barulho de dentro e de fora me façam deixar de ouvir o que realmente importa.  Ah! Quando Você vier, que grande alegria! Que Noite bendita! Ah! Quando Vocês estiver chegando, que feliz espera! Que doce esperança! Ah! Quando Você estiver vindo, que certeza de ter escolhido a melhor parte! Que misericórdia revelada! Por isso, como quero estar realmente esperando!

11 de dezembro de 2014

O Senhor vem!


Entre os dedos, na ponta da caneta, parece querer sair o coração. Mistério tão grande: dor, morte, cruz, alegria, esperança e ressurreição. Movimento sempre dinâmico, contínuo ciclo do cristão. Contemplar a vida ser conduzida por um lado ferido de amor, sem resistir às mudanças que transformam o pranto em canto e a existência em louvor. Ter constantemente, na medida do pulsar, o coração esmagado pela força da misericórdia; verdade que sempre faz uma obra nova surgir.  Somente quem Te conhece tem a graça de ter a alma saciada por uma presença que não passa, certeza de nunca estar só. Mistério tão grande que não cabe em mim. Amor forte, tão forte que me faz seguir.  Esperar-te todos os dias, contando o tempo, querendo sempre teu advento, saudades sem fim.... Se quiseres, já podes vir.

2 de novembro de 2014

Eu escolho tudo

Eu sempre quis mais. Mais do que um trabalho, a missão. Mais do que uma alegria, a felicidade. Mais do que um sonho, a realidade. Mais do que um amor, o amor. Mais do que uma expectativa, a esperança. Mais do que o concreto, a fé. Mais do que o hoje, o para sempre. Meu coração, criado por Deus, sempre foi maior do que eu. Meus olhos nunca pararam no horizonte. Hoje, eu quero o Céu. Hoje, “eu escolho tudo”.  “Não quero ser santa pela metade.”

 

“Meu Deus, eu escolho tudo, não quero ser santa pela metade. Não receio sofrer por Vós. Só temo uma coisa, é a minha vontade própria.” 
(Santa Terezinha do Menino Jesus)

 


13 de outubro de 2014

“Maria guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração.” (Lc 2, 19)



Com Ela aprendi que há muitas coisas que precisam ser guardadas no coração. Uma palavra que grita, um silêncio que dói, uma espera sem fim, uma luta vencida, uma batalha perdida, um sonho, um desejo, um sinal, um caminho, um amor, uma dor. Meditar com coração é mais do que racionalizar os fatos; é abrir espaço para o Mistério, é gerar uma nova maneira de viver o que chegou dentro da alma. Guardar no coração é sentir a espada sem se deixar abater por ela. É ter a coragem de se deixar ferir. É juntar os pedaços que um dia serão inteiros. Guardar no coração é reconhecer o próprio limite de não conseguir enxergar o que ainda não pode ser visto, o que ainda vai ser revelado e o que um dia será completado. Com Ela aprendi que só guarda no coração quem se sabe incapaz de resolver tudo com as próprias mãos, quem reconhece que o tempo germina a semente invisível da esperança, plantada no terreno da fé. Só sabe guardar quem abre mão do domínio da própria vida, quem se deixa conduzir e guiar. Só guarda no coração quem tem o coração nas mãos de Deus. Coração, lugar seguro para guardar os tesouros da vida, mas somente se durante a vida ele está sob a tutela de Deus. Com Ela aprendi a guardar meus segredos em Seu lado traspassado sem receio, sabendo que lá tudo se perde, tudo se encontra, tudo se transforma, tudo se refaz, tudo se cura. Quanta sabedoria no guardar de Maria.  

9 de outubro de 2014

Tributo a Francisco


Gosto do cheiro de mato, do mormaço da chuva no chão. Gosto de sentir a brisa e gosto do barulho do mar quando se esparrama na areia como quem parece tomar de volta seu espaço, sem pedir licença a ninguém. Gosto da música e de parar para ouvi-la sem pressa, dançando a letra e vivendo a melodia. Gosto de todas as flores, mas amo a simples beleza das delicadas e fortes margaridas. Também gosto das rosas e até de seus espinhos. Gosto do silêncio do sol quando nasce e do misterioso colorido quando ele se põe. Quem poderia desenhar o céu melhor do que ele já é? Gosto da lua em todas as suas fases, gosto do céu estrelado do interior, regido pela sinfonia dos grilos.  Gosto do sorriso que abre o coração do mundo e da gargalhada que alcança a alma. Gosto das palavras escritas, ditas e cantadas. Mas gosto ainda mais quando o silêncio fala e cala. Gosto da anatomia dos abraços apertados e do carinho espontâneo. Gosto da surpresa e do encanto. E gosto do que é simples, mas fielmente concreto e constante. Gosto muito do olhar sincero, aquele que fixa nos olhos sem medo, devagar como a cumplicidade é construída. Gosto do tempo que leva, que espera, que segue e que fica. Gosto da esperança, do sabor de cada novo dia, da expectativa que sussurra a mudança. Gosto do poder da poesia que torna leve o que se tornou pesado, suavizando a labuta dos cansados. Poderia “chorar como Francisco" por gostar de tantas coisas... Mas com ele aprendi que amar e apreciar a criação feita por amor e para mim, é amar mais meu Criador. Que chamem as palavras, as músicas e as poesias para testemunharem com eloquência a Beleza do Criador. Eu gosto de tudo isso, mas o que mais desejo é “Amar o Amor".

16 de março de 2014

Uma Quaresma de Verdade



Tenho lido e refletido muito sobre a vivência da Quaresma nos dias de hoje. Além da belíssima mensagem do Papa Francisco, de frases, palestras e partilhas de irmãos, tenho tentado rezar mais e ouvir, de verdade, como posso amar mais e me unir mais a Deus nesse tempo.  Em outros tempos, de fato, era mais fácil viver a Quaresma com um “plus” de piedade, penitência, cuidado, afinal, tudo em volta favorecia: as mídias, as escolas, os pais, os avós, as tradições tão criticadas, mas tão edificadoras de valores cristãos... Deixar de comer chocolate, deixar de tomar refrigerante ou de deixar de passar a manteiga no pão eram atos quase “normais” nesse período, afinal, valia tudo para ser mais santo e, quando se é mais jovem, todos os sacrifícios parecem mais possíveis de serem realizados por amor. Generosidade e radicalidade de corações jovens encontrados por Deus. Enfim, eramos convidados a mergulhar no Mistério de Cristo com mais profundidade e apresentados a Ele com maior frequência. Hoje, realmente, o esforço é maior para conseguir acompanhar Jesus no deserto, guardar o coração no silêncio do Mistério e não deixar-se levar pela correria dos dias, pelo barulho dos afazeres e pelas “vozes da carne que clamam em nós”, como diz um hino das Laudes. Mas toda essa dificuldade, ao meu ver, parece dar um impulso novo a esta vivência, porque se por um lado ficou mais difícil, por outro ficou mais “fácil”. Explico-me. O verdadeiro cristão está mais sedento de silêncio, frente aos barulhos dos dias. Ele está mais penitente, frente às dores do coração do homem que está mais sofrido. Ele está mais unido ao Mistério, frente ao mistério de um mundo que se perdeu de Deus. Ele está mais decidido pela santidade, diante de um tempo que não sabe mais o que isso quer dizer. O motivo dessa mudança? Simples: se ele não estiver mais silencioso, mais penitente, mais unido a Deus e decidido pela santidade nos dias de hoje, ele não consegue mais ser cristão. Se hoje não damos tudo a Deus, não conseguimos dar nada.  Exigência de um tempo que, ou nos faz crentes de verdade, ou descrentes de tudo. O cristão que ama a Deus está vivendo uma grande Quaresma, uma Quaresma de verdade, que o levará de fato para uma vida nova junto ao Ressuscitado que passou pela Cruz, de uma vez por todas e para sempre. E é essa Quaresma que eu quero e preciso continuar a viver, com a graça de Deus “que não se cansa de perdoar, nós é que nos cansamos de pedir perdão”, disse um homem Santo, simples e humilde que descobriu bem antes dessa Quaresma o caminho para o coração de Deus.
Santa Quaresma a todos!