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16 de março de 2014

Uma Quaresma de Verdade



Tenho lido e refletido muito sobre a vivência da Quaresma nos dias de hoje. Além da belíssima mensagem do Papa Francisco, de frases, palestras e partilhas de irmãos, tenho tentado rezar mais e ouvir, de verdade, como posso amar mais e me unir mais a Deus nesse tempo.  Em outros tempos, de fato, era mais fácil viver a Quaresma com um “plus” de piedade, penitência, cuidado, afinal, tudo em volta favorecia: as mídias, as escolas, os pais, os avós, as tradições tão criticadas, mas tão edificadoras de valores cristãos... Deixar de comer chocolate, deixar de tomar refrigerante ou de deixar de passar a manteiga no pão eram atos quase “normais” nesse período, afinal, valia tudo para ser mais santo e, quando se é mais jovem, todos os sacrifícios parecem mais possíveis de serem realizados por amor. Generosidade e radicalidade de corações jovens encontrados por Deus. Enfim, eramos convidados a mergulhar no Mistério de Cristo com mais profundidade e apresentados a Ele com maior frequência. Hoje, realmente, o esforço é maior para conseguir acompanhar Jesus no deserto, guardar o coração no silêncio do Mistério e não deixar-se levar pela correria dos dias, pelo barulho dos afazeres e pelas “vozes da carne que clamam em nós”, como diz um hino das Laudes. Mas toda essa dificuldade, ao meu ver, parece dar um impulso novo a esta vivência, porque se por um lado ficou mais difícil, por outro ficou mais “fácil”. Explico-me. O verdadeiro cristão está mais sedento de silêncio, frente aos barulhos dos dias. Ele está mais penitente, frente às dores do coração do homem que está mais sofrido. Ele está mais unido ao Mistério, frente ao mistério de um mundo que se perdeu de Deus. Ele está mais decidido pela santidade, diante de um tempo que não sabe mais o que isso quer dizer. O motivo dessa mudança? Simples: se ele não estiver mais silencioso, mais penitente, mais unido a Deus e decidido pela santidade nos dias de hoje, ele não consegue mais ser cristão. Se hoje não damos tudo a Deus, não conseguimos dar nada.  Exigência de um tempo que, ou nos faz crentes de verdade, ou descrentes de tudo. O cristão que ama a Deus está vivendo uma grande Quaresma, uma Quaresma de verdade, que o levará de fato para uma vida nova junto ao Ressuscitado que passou pela Cruz, de uma vez por todas e para sempre. E é essa Quaresma que eu quero e preciso continuar a viver, com a graça de Deus “que não se cansa de perdoar, nós é que nos cansamos de pedir perdão”, disse um homem Santo, simples e humilde que descobriu bem antes dessa Quaresma o caminho para o coração de Deus.
Santa Quaresma a todos!