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13 de outubro de 2014

“Maria guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração.” (Lc 2, 19)



Com Ela aprendi que há muitas coisas que precisam ser guardadas no coração. Uma palavra que grita, um silêncio que dói, uma espera sem fim, uma luta vencida, uma batalha perdida, um sonho, um desejo, um sinal, um caminho, um amor, uma dor. Meditar com coração é mais do que racionalizar os fatos; é abrir espaço para o Mistério, é gerar uma nova maneira de viver o que chegou dentro da alma. Guardar no coração é sentir a espada sem se deixar abater por ela. É ter a coragem de se deixar ferir. É juntar os pedaços que um dia serão inteiros. Guardar no coração é reconhecer o próprio limite de não conseguir enxergar o que ainda não pode ser visto, o que ainda vai ser revelado e o que um dia será completado. Com Ela aprendi que só guarda no coração quem se sabe incapaz de resolver tudo com as próprias mãos, quem reconhece que o tempo germina a semente invisível da esperança, plantada no terreno da fé. Só sabe guardar quem abre mão do domínio da própria vida, quem se deixa conduzir e guiar. Só guarda no coração quem tem o coração nas mãos de Deus. Coração, lugar seguro para guardar os tesouros da vida, mas somente se durante a vida ele está sob a tutela de Deus. Com Ela aprendi a guardar meus segredos em Seu lado traspassado sem receio, sabendo que lá tudo se perde, tudo se encontra, tudo se transforma, tudo se refaz, tudo se cura. Quanta sabedoria no guardar de Maria.  

9 de outubro de 2014

Tributo a Francisco


Gosto do cheiro de mato, do mormaço da chuva no chão. Gosto de sentir a brisa e gosto do barulho do mar quando se esparrama na areia como quem parece tomar de volta seu espaço, sem pedir licença a ninguém. Gosto da música e de parar para ouvi-la sem pressa, dançando a letra e vivendo a melodia. Gosto de todas as flores, mas amo a simples beleza das delicadas e fortes margaridas. Também gosto das rosas e até de seus espinhos. Gosto do silêncio do sol quando nasce e do misterioso colorido quando ele se põe. Quem poderia desenhar o céu melhor do que ele já é? Gosto da lua em todas as suas fases, gosto do céu estrelado do interior, regido pela sinfonia dos grilos.  Gosto do sorriso que abre o coração do mundo e da gargalhada que alcança a alma. Gosto das palavras escritas, ditas e cantadas. Mas gosto ainda mais quando o silêncio fala e cala. Gosto da anatomia dos abraços apertados e do carinho espontâneo. Gosto da surpresa e do encanto. E gosto do que é simples, mas fielmente concreto e constante. Gosto muito do olhar sincero, aquele que fixa nos olhos sem medo, devagar como a cumplicidade é construída. Gosto do tempo que leva, que espera, que segue e que fica. Gosto da esperança, do sabor de cada novo dia, da expectativa que sussurra a mudança. Gosto do poder da poesia que torna leve o que se tornou pesado, suavizando a labuta dos cansados. Poderia “chorar como Francisco" por gostar de tantas coisas... Mas com ele aprendi que amar e apreciar a criação feita por amor e para mim, é amar mais meu Criador. Que chamem as palavras, as músicas e as poesias para testemunharem com eloquência a Beleza do Criador. Eu gosto de tudo isso, mas o que mais desejo é “Amar o Amor".