Eu decidi esperar



Eu decidi esperar. Não porque sou forte, mas porque recebi amor demais. Decidi esperar pelo que não passa, pelo que permanece, abrindo mão de viver tudo que eu queria, para viver o que Ele quer.  Decidi sofrer a espera, por vezes dura e misteriosa, afinal, existem bens inegociáveis na vida de quem ama a Deus. E é necessário que muito custe, o que muito vale, já dizia uma grande e santa mulher. Decidi rezar diante das críticas. Decidi dispensar resoluções mirabolantes e perfeitas que as pessoas sempre têm para a vida dos outros. Decidi seguir adiante, num passo de cada vez.  Com alegria, com leveza, sem trair meu coração que fala tão forte! Decidi não forçar a barra. Decidi andar contra a corrente. Decidi apostar no céu. Sigo na esperança da surpresa. Na certeza da fé. E diante das alertas muitas vezes indelicadas, outras vezes sutis, de que o tempo está passando, de que o corpo está envelhecendo e com ele as consequências biológicas vindo...vou decidindo permanecer olhando para Aquele que é o Senhor de todo o tempo.  Vou entendendo que essa história de “cuidar do jardim para que venham as borboletas” é muito importante e real. E nesse cuidar já existe tanta alegria! Tanta descoberta! Decidi abrir meu coração, mas sabendo do tesouro que nele existe. E tesouro a gente guarda para os mais preciosos e não entrega para quem não quer ficar de verdade. Decidi não me prender aos padrões, decidi não fazer o que todo mundo faz, decidi pela porta estreita de quem continua acreditando no respeito, no amor e na amizade.  Decidi acreditar no casamento. Decidi acreditar no para sempre. Decidi não me negociar para não ser quem não sou. Não estou pronta e nem sou perfeita, vou aprendendo a caminhar e a crescer. Estou em construção, disposta às reformas, mas sem comprometer o alicerce que colocou meu Construtor. E preciso de ajuda. Ajuda das orações dos que me amam, da torcida dos que gostam de mim, dos empurrões dos amigos quando estou desanimada, das palavras de esperança dos que acreditam mais do que eu. Decidi escrever para dar voz e palavra aos que, como eu, estão “pagando para ver”, para os “loucos” e “sem juízo” que decidiram esperar pelo seu amor em Deus.

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